«O risco e o sonho acompanham-nos sempre», diz o presidente da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização

Porto, 17 out 2020 (Ecclesia) – O presidente da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização, da Conferência Episcopal Portuguesa, disse à Agência ECCLESIA que “a missão sem risco não existe, como também sem sonho não há evangelização.

“Uma das coisas que o Papa nos quer incutir na alma a todos é que é preciso renovar a Igreja para que saiba cuidar do mundo. Aqui pressupõe-se que é preciso homens novos para construir esta humanidade nova. Depois esta ideia do mundo fraterno, dentro deste mundo uma Igreja de serviço”, refere D. Armando Esteves, em entrevista por ocasião do Dia Mundial das Missões, que se celebra este domingo na Igreja Católica.

Segundo o responsável, “a missão sem risco não existe, como também sem sonho não há evangelização”, por isso, “o risco e o sonho acompanham sempre”.

Sobre os desafios no campo da missão, D. Armando Domingues começa por salientar a “questão educativa e formativa interna” e a necessidade de “reconstruir a comunidade”.

“A missão tem de ser construtora de comunidade e uma primeira missão ‘ad intra’: ver o que somos, o que precisamos, como educar, como formar, como envolver, como contagiar, como dizer ‘tarefa de todos, missão de todos’. Sermos capazes de nos convertermos a uma nova forma de evangelização”, desenvolveu.

Num segundo desafio, o bispo auxiliar do Porto considera que é preciso “aprofundar dentro da Igreja” o conceito de “começar pelos últimos, pelas periferias”, e centrar a comunidade nos outros que “não têm fé, naqueles que não têm interesse na vida da Igreja, naqueles que vivem desmotivados, desinteressados, os não crentes ou os ateus”, para além dos “que sofrem”, dos doentes e idosos.

Foto: Agência ECCLESIA/MC

D. Armando Domingues alerta para a linguagem que deve ser usada, “a partir dos últimos”, questionando se as comunidades falam para si, para “os grupinhos fechados” porque “é preciso fazer do Evangelho uma cultura” e usar “uma linguagem simples, como Cristo falou”.

Neste contexto, surge o terceiro desafio e o presidente da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização destaca que a “missão precisa de preparar-se para tocar as pessoas” e os missionários “contar a experiência do Evangelho na vida, ser capaz de transformar em palavra simples, que tocam qualquer um”.

“Precisamos daquela imagem para a missão que é a proximidade”, acrescenta.

‘Eis-me aqui, envia-me’, passagem do livro bíblico do profeta Isaías “onde aparece em diálogo com Deus”, é o tema para o Dia Mundial da Missões 2020.

“É no fundo o diálogo de cada crente, mas de uma maneira especial e quase obrigatória daquele que sendo batizado sente alegria em ser batizado, não por circunstância social, mas por chamamento de Deus, por dom de Deus. Neste diálogo que se vai prolongando constantemente há este jogo de perceber o que é que Deus nos diz em cada momento da história do mundo e da vida pessoal”, desenvolveu D. Armando Domingues.

Nas celebrações deste domingo, o ofertório destina-se às missões e o bispo auxiliar do Porto assinala que “a cultura do dar comunica-se a outros”, pelo que as paróquias onde as pessoas se habituam a dar “têm objetivo e o dinheiro nunca falta”.

“Há carências enormes na missão e é um apelo que se faz sempre porque se não fizermos crescer os outros também não crescemos. Tudo é um desafio a que sejamos capazes de dar”, acrescentou o presidente da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização.

A Igreja Católica celebra o Dia Mundial da Missões 2020 este domingo, 18 de outubro, e o tema está em destaque nos programas ‘Ecclesia’, às 06h00, na Antena 1 da rádio pública, e no ‘70×7’, pelas 17h45, na RTP2.

CB/OC

D. Armando Domingues disse que “não esperava” ser escolhido como responsável pela Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização e adiantou que quer “alargar” os desafios a quem caminha consigo, neste setor da Igreja Católica.

O bispo auxiliar do Porto assinalou que “fazer do Evangelho cultura é um dos desafios grandes para dos tempos modernos”, considerando que seria importante para as dioceses portuguesas existirem centros missionários e desenvolver “novas iniciativas de leigos, que na sua profissão já vivem uma missão”.

“O grande paradigma é sempre esse olhar lá fora onde as pessoas estão a crescer, querem ser cristãs, é sempre novidade, um desafio enorme estar lá, há sempre tanto que fazer. É preciso dar sem medida, a cultura de vida não posso deixar ninguém para trás, não posso deixar que ninguém morra sem sentido. Depois também uma cultura de confiança, uma cultura de diálogo, esta cultura da universalidade”, desenvolveu.

 

Covid-19: Igreja assume desafios da pandemia na celebração do outubro missionário

Partilhar:
Share