D. Armando Esteves, presidente da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização, fala em tempo de «fraternidade universal»

Lisboa, 15 set 2020 (Ecclesia) – A Igreja Católica em Portugal vai colocar os desafios gerados na pandemia no centro da celebração do outubro missionário, seguindo as orientações do Papa Francisco para esta iniciativa anual.

“Olhando o mundo, os países e povos aflitos, pode-se sonhar com um terreno mais apto à fraternidade universal: todos irmanados nos mesmos limites e fragilidades, esperamos que sejam também importantes e indispensáveis”, escreve D. Armando Esteves Domingues, presidente da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização, na introdução ao guião que orienta esta iniciativa, nas comunidades católicas.

“Onde o Evangelho já se faz cultura, sonha-se com respostas globais: na educação – o Papa fala de um pacto educativo global -, na saúde – em que uma vacina e a sua distribuição dê prioridade aos mais frágeis -, na “casa comum”, na globalização da fraternidade”, acrescenta.

O bispo auxiliar do Porto recorda o “silêncio incómodo e doloroso” do confinamento, por causa da pandemia, e fala na necessidade de uma Igreja capaz de “sair até às periferias” e de abandonar o cómodo critério do “sempre se fez assim”, que deixe de lado a “ilusão das facilidades e das fantasias enganosas de sucesso”.

O Guião Missionário 2020/2021 apresenta, nas suas sugestões, uma reflexão sobre economia e ecologia, a partir do pensamento do Papa.

“Pensar na origem do que consumimos diariamente, na relação com os companheiros de missão e comunidade que integramos, como integramos todo este estilo de vida nas atividades pastorais são algumas das dimensões a ter em conta, quando se quer experimentar vida e missão integradas”, pode ler-se.

O presidente dos Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG), padre Adelino Ascenso, assina uma mensagem neste documento em que apela ao diálogo “existencial” e “experiencial”, nos contactos com pessoas de diferentes religiões, promovendo “uma práxis comum em vista à construção de um mundo mais justo, mais pacífico e mais humano”.

A celebração do Dia Mundial das Missões acontece anualmente no terceiro domingo de outubro (18 de outubro, em 2020); os donativos recolhidos nas Missas destinam-se a apoiar o trabalho das Obras Missionárias Pontifícias.

Na sua mensagem para o 94.º Dia Mundial das Missões, o Papa assume que a pandemia de Covid-19 deve ser um “desafio também para a missão da Igreja”.

“Desafia-nos a doença, a tribulação, o medo, o isolamento. Interpela-nos a pobreza de quem morre sozinho, de quem está abandonado a si mesmo, de quem perde o emprego e o salário, de quem não tem abrigo e comida”, escreve Francisco, num texto com o título ‘Eis-me aqui, envia-me’.

OC

 

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