Lisboa, 05 jun 2011 (Ecclesia) – A relação dos cristãos com a Internet e as redes sociais é o tema em destaque no 45º Dia Mundial das Comunicações Sociais, hoje celebrado, evento da Igreja Católica que, em Portugal, foi apresentado na quinta-feira.

Na mensagem que deu o título a este Dia Mundial, ‘Verdade, anúncio e autenticidade de vida na era digital’, Bento XVI fala de um conjunto de ferramentas que “mudaram o modo de comunicar” e provocaram uma “ampla mudança cultural”, na qual os cristãos se devem saber inserir “com criatividade consciente e responsável”.

Não esquecendo que “o contacto virtual não pode nem deve substituir o relacionamento humano”, o Papa destaca também as potencialidades que estes avanços tecnológicos podem proporcionar, em matéria de evangelização.

O professor universitário Manuel Pinto, em texto publicado no semanário Agência ECCLESIA, recorda que esta preocupação da Igreja Católica, em acompanhar os “sinais dos tempos”, já vem desde a elaboração da instrução pastoral “Communio et Progressio”, publicada por mandato do Concílio Vaticano II, em 1971.

“É extraordinário como um documento de há 40 anos continua a colocar-se não só como memória, mas como horizonte do muito que há a fazer” sublinha o professor de Jornalismo e de Educação para os Media, da Universidade do Minho.

“Isso tornou-se possível”, realça o docente, “porque, no essencial, não se ficou pelo discurso eufórico acerca das promessas tecnológicas nem tão-pouco por uma perspetiva instrumentalista dos meios de comunicação, tão típica das grandes estruturas de poder, sejam elas económicas, políticas ou culturais, a Igreja Católica incluída”.

O Dia Mundial das Comunicações Sociais foi a única celebração do género instituída pelo Concílio Vaticano II (Decreto «Inter Mirifica», 1963) sendo assinalada na maioria dos países no domingo que antecede a Solenidade de Pentecostes – este ano, a 5 de junho.

Para Teresa Messias, professora de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, “o grande desafio religioso que a Internet coloca aos cristãos talvez seja, afinal, o de, gerarem relações de confiança e generosidade que se concretizam depois também no acolhimento presencial direto e profundo”.

Em causa está, sobretudo, a criação de uma “identidade digital católica”, acrescenta Jorge Pires Ferreira, que “arriscaria um perfil baseado no Concílio Vaticano II”.

“Na rede, sabemos que somos o que partilhamos. Na vida, sabemos que a maior partilha é a que nos constitui em comunidade de comunhão”, exemplifica o diretor-adjunto do “Correio do Vouga”, referindo-se aos ensinamentos contidos na encíclica conciliar “Lumen gentium”.

A Agência ECCLESIA disponibiliza ainda um “olhar” sobre “alguns bons exemplos de comunicação da identidade católica através das ferramentas digitais”, partilhados pelo programador Fernando Cassola Marques, responsável pela transmissão online das principais actividades da diocese de Aveiro.

JCP/OC

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