P. Bruno Nobre, sj

Acredito que a redescoberta da filosofia como arte de pensar – sobre a vida, sobre o mundo, sobre nós próprios – pode ajudar-nos a encontrar o rumo, nas águas tumultuosas que navegamos.

Os tempos que vivemos têm sido particularmente duros. Além de ter de conviver com as dores de crescimento da globalização e com os sobressaltos causados pelo ritmo vertiginoso dos desenvolvimentos científicos e tecnológicos, a humanidade está a braços com uma pandemia mais longa e persistente do que podíamos imaginar. Ao mesmo tempo, o panorama político vai sendo povoado por personagens excêntricas que assumem o papel de messias e de intérpretes iluminados do humor e da vontade dos povos.

A emergência do «admirável mundo novo» está a ser mais turbulenta do que podíamos imaginar. Não existem remédios fáceis para as enfermidades do tempo que vivemos. E a descoberta de novas vacinas demora mais tempo do que pensávamos. Parece-me óbvio, no entanto, que o grande recurso que temos à nossa disposição é, e sempre será, a nossa capacidade de pensar. Nós, humanos, não somos só razão. E ainda bem. Mas somos também razão e é a razão que nos distingue das outras espécies animais. É por isso que acredito que a redescoberta da filosofia como arte de pensar – sobre a vida, sobre o mundo, sobre nós próprios – pode ajudar-nos a encontrar o rumo, nas águas tumultuosas que navegamos.

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