«O momento da história que vivemos está cheio de contextos que interpelam, provocam e pedem caminho» – D. Antonino Dias

Foto: Diocese de Portalegre-Castelo Branco

Portalegre, 24 nov 2020 (Ecclesia) – O bispo de Portalegre-Castelo Branco publicou uma mensagem para o Advento, tempo de preparação para o Natal no calendário católico, sublinhando que a sociedade vive um momento “cheio de contextos que interpelam, provocam e pedem caminho”, como a pandemia de Covid-19.

“A inesperada pandemia é como que uma súmula condensada de todos os problemas com que a humanidade e cada pessoa se confronta. É a sociedade no seu todo. É cada uma das pessoas e famílias em busca de melhores condições de vida”, escreve D. Antonino Dias.

O bispo de Portalegre-Castelo Branco assinala que “toda a vida quer viver e ser bem vivida” e há um mundo inteiro de desafios, como os nacionalismos, os populismos, as curvas do poder e as eleições, “a fragilidade da saúde e a evidência da provisoriedade da condição humana”, o esgotamento dos recursos do planeta, “os refugiados e os pobres ao lado da debilidade das políticas sociais”, a educação e a incapacidade para a fraternidade.

“E há uma dimensão em que a vida humana se diferencia de todas as outras formas de vida: É o apelo e o acolhimento do outro, é o encontro e a relação, é o projeto e a construção”, acrescenta, num texto divulgado online.

O Advento, tempo preparar o Natal que este ano começa dia 29 de novembro, é um “tempo de expectativa” e D. Antonino Dias explica que há diferentes tipos de expectativas: as estáticas ,que “nada ajudam a crescer”; as meramente legais; as “meramente racionais, que isolam as atitudes dos sentimentos”; e as “exclusivamente afetivas, que são apenas memórias e se fecham à surpresa do futuro”.

“Também há expectativas que interpelam, comprometem, fazem alargar o horizonte, abrem o coração à surpresa da novidade”, realça.

O bispo de Portalegre-Castelo Branco destaca que a família é um dos “mais importantes campos em que a expectativa, como atitude própria de Advento, pode ser aprendida, educada, purificada, vivida e ajudar a vida com os seus talentos a dar fruto”.

D. Antonino Dias refere que se pode olhar para a família cristã como “a força do dom recíproco em amor” e dizer que, nela, cada um dos esposos “encontra o seu futuro no outro como sentido de vida, amor, segurança” e salienta que “o amor também se constrói” e seria um “erro enorme” pensar que o amor, e a própria família, “são um instinto, uma disposição natural do coração”.

“É com as bases da comunicação e comunhão, da ternura, da sexualidade libertadora, do projeto comum, da fé, que, no próprio momento da celebração sacramental a família se constrói a partir do batismo e fé, da liberdade, da livre vontade, do amor e respeito, da fidelidade, da intensidade diária de relação, da saúde e doença, tristeza e alegria como horizontes reais da vida quotidiana”, desenvolve.

O responsável católico observa que o tempo de Advento proporciona a toda a Igreja “a vivência da expectativa como construtora do dia-a-dia mais aberto à presença de Deus” e a todas as famílias abre uma oportunidade de “reconstruir e densificar relações, redefinir prioridades, encontrar momentos comuns de oração, desafiar ao compromisso eclesial e social em favor dos outros, investir valores e tempos na educação dos filhos, participar no cuidado da Casa comum”.

Na mensagem ‘um Advento que interpele e provoque’, publicada no sítio online da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, D. Antonino Dias apresenta a Coroa do Advento, do Secretariado Diocesano da Pastoral, para ajudar as famílias a preparar a celebração do Natal ao longo das próximas quatro semanas.

CB/OC

 

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