«Há diferenças salariais abismais, dentro da Europa, bem como a nível mundial», assinala José Paixão

Lisboa, 01 mai 2019 (ECCLESIA) – O coordenador nacional da Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC) defendeu uma “globalização” do salário mínimo, a começar pela União Europeia, e o respeito pelo descanso dominical.

“Há diferenças salariais abismais, dentro da Europa, bem como a nível mundial, muito mais abismais ainda”, referiu José Paixão, em entrevista à Agência ECCLESIA, por ocasião da celebração do 1.º de maio.

“Quando se falou em globalização, admitia-se que também fosse globalização da solidariedade, globalização de condições de vida, de desenvolvimento. A verdade é que a globalização se tem situado apenas nas questões económicas e financeiras”, acrescentou.

O responsável da LOC/MTC espera soluções para que os trabalhadores tenham “alguma garantia de ter um salário mínimo, que possibilite uma vida digna”.

Em relação ao descanso dominical, José Paixão sustenta que, em prol da “estabilidade familiar”, é necessário um dia de encontro para todos e que “só trabalhe ao domingo quem é indispensável”.

“Nós, em Portugal, fomos enganados: foi-nos sendo dito que era uma questão europeia, mas o que verificamos é que na Europa isso não acontece”, acusa.

O entrevistado mostra-se contra a ideia de que com a chamada “quarta revolução industrial” vai deixar de haver trabalho.

“O que se tem visto, nas outras revoluções industriais, é que tem de haver alguma adaptação, mas o desemprego criado foi substituído por empregos em maior quantidade do que existia anteriormente”, refere, convencido de que a evolução da própria tecnologia “não vai substituir o ser humano”.

“A dignidade da pessoa está estritamente vinculada, precisamente, ao trabalho: não ao dinheiro, à visibilidade ou ao poder, mas ao trabalho”

(Papa Francisco)

O coordenador nacional da Liga Operária Católica em Portugal considera que o 1 de maio é uma data histórica “muito importante” na luta pelos direitos dos trabalhadores, que é “permanente”.

“A evolução da economia, das tecnologias, da forma de entender o trabalho e de o explorar, têm de estar sempre numa perspetiva de defesa dos trabalhadores, que são sempre o elo mais fraco”.

José Paixão partilha da visão da Doutrina Social da Igreja, a qual defende que “o trabalho deve dignificar a pessoa” e sublinha a importância que o Papa Francisco tem dado ao “mundo do trabalho”.

“O trabalho tem de criar condições para que a pessoa tenha uma vida digna, com meios suficientes para si e a sua família”, acrescenta.

A Igreja Católica celebra desde 1955 a festa litúrgica de São José Operário, como forma de associar-se à comemoração mundial do Dia do Trabalhador, uma decisão do Papa Pio XII.

LS/OC

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