Marta Couto era uma jovem cética que achava que as aparições de Fátima eram uma história inventada por três crianças. Até que um encontro, nos Valinhos, põe em causa toda a lógica em que dizia acreditar e fê-la iniciar um caminho de conversão que a levou à vida consagrada. Hoje é junto das pessoas com deficiência e das suas famílias, junto de quem experimenta o sofrimento, que prossegue o seu caminho procurando crescer com a simplicidade, genuinidade e no cuidar dos outros.

«Sou uma pessoa muito lógica e Deus não tinha lógica para mim porque eu pensava como poderia existir Deus e o sofrimento. Para mim, Fátima era uma mera invenção de três crianças que não tinham nada para fazer numa tarde e decidiram contar que Nossa Senhora lhes apareceu. Mas um jovem falou-me, nos Valinhos, das aparições do Anjo, e das orações: como é que três crianças analfabetas poderiam inventar tais orações? Isso mexeu muito comigo. Meteu toda a minha lógica em crise. Foi a partir daí que se deu um grande movimento interior de conversão e me fez entrar no Movimento Mensagem de Fátima (MMF)»

«Na casa dos Silenciosos Operários da Cruz deparei-me com uma realidade muito diferente do sofrimento, porque sempre fui tendo esta questão: «Se Deus é bom porque sofremos, porque existe o sofrimento no mundo»? O MMF foi-me explicando teoricamente o sofrimento, e a noção da importância de oferecer o sofrimento, mas ao chegar a estas semanas, ver os pais e jovens, ver esta comunidade dos Silenciosos e a forma como encaram e ajudam a encarar o sofrimento, não como uma condenação mas como um caminho que pode ser feito para nos ajudar e transformar para algo mais, apercebi-me que o cuidar do outro, ajudar e acompanhar era algo que eu queria fazer com a minha vida»

«O sofrimento das famílias mostra-se na solidão que vivem, sentem-se únicas na situação que vivem e não encontram empatia no seu dia-a-dia. O amor que sentem pelos seus filhos é algo transcendente. Sem esse amor, não seria possível continuar. Elas são especialistas em amor».

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