Cultura: Partículas de hóstias ganham formas e cor em exposição «Imagem Pairante» (c/fotos)

Padre Christopher Sousa finaliza estudos na Faculdade de Belas Artes na Universidade do Porto e foi desafiado a descobrir «plasticamente um material do seu quotidiano» 

Viana do Castelo, 19 fev 2026 (Ecclesia) – O padre Christopher Sousa, pároco de Santa Marta de Portuzelo, na diocese de Viana do Castelo, e autor da exposição ‘Imagem Pairante’, diz que “enquanto artista e enquanto padre” a sua missão é colocar-se num “espaço intermédio”.

“Enquanto artista eu creio que a minha maior missão, mas também como padre, é colocar-me neste espaço intermediário de ser um ‘vai-vem’ de informação entre duas realidades. A minha preocupação é ver estes dois polos unidos – é ver o material e o imaterial, o imanente e o transcendente, o homem e Deus unidos”, conta à Agência ECCLESIA.

A mostra Imagem pairante esteve em exposição em Viana do Castelo, durante o 48º Encontro Diocesano de Pastoral Litúrgica, onde o autor foi um dos palestrantes, e está agora disponível para ser itinerante.

A exposição resulta do trabalho académico do padre Christopher Sousa, que está a terminar estudos na Faculdade de Belas Artes na Universidade do Porto, e da provocação de uma professora que desafiou o sacerdote a trabalhar com um material do seu quotidiano.

“Surgiu a possibilidade de trabalhar plasticamente a partícula de hóstia. Foram feitos muitos testes, muitas experiências, e a conclusão a que chegámos é que a partícula de hóstia tem muito potencial neste sentido plástico, mas também no sentido conceptual, de remeter o espetador para aquilo que é a sua essência, que é o alimento, que é também uma matéria que nos remete para Deus e para o transcendente”, traduz.

As partículas foram “trabalhadas em contexto académico” e acabaram também em sala de aula por “provocar diálogos” antes ainda de o trabalho final estar concebido.

Foto Agência ECCLESIA/LS

A exposição reúne um conjunto de obras, onde “cada partícula foi trabalhada uma a uma”, adquirindo um resultado ora com luz ora com cor, de forma a colocar o visitante “num espaço intermediário”.

“Cada uma das cores remete-nos para experiências, para emoções, para estados de espírito distintos. Por isso as cores estão presentes de uma forma muito ativa nesta exposição, em particular numa peça central que se chama ‘Imagem Pairante’, que também dá o nome à exposição, onde vemos as cores do espetro do nascer até o pôr-do-sol”, explica.

Outra peça remete para o trabalho dos pescadores de São Pedro da Afurada, em Vila Nova de Gaia, lembrando “as redes mas também as escamas dos peixes”.

“A partir desta matéria, que é tão simbólica, podemos despertar na vida daqueles que visitam a exposição, uma oportunidade para se encontrarem com o transcendente, eu até diria com Deus, neste caso muito específico, e poderem também dialogar com ele. Aquilo que se pretende criar é um diálogo entre as várias obras, numa atmosfera de intimidade que também permita levar a que as pessoas possam ter uma experiência de recolhimento ou até mesmo de oração”, indica.

O padre Christopher Sousa admite que ao longo do trabalho que foi realizando, percebeu como a matéria o transformou.

“Não fui eu que transformei a matéria, mas foi a matéria que me transformou a mim e com grande alegria vejo que isso também acontece com as pessoas que vão se vão confrontando com as minhas pinturas. A partícula de hóstia é uma matéria que é translúcida e permite, com recurso a luz, revelar-se”, afirma.

O sacerdote, que é pároco em Santa Marta de Portuzelo, na diocese de Viana do Castelo, reconhece o incentivo da sua comunidade para prosseguir os estudos em Belas Artes, continuando a “provocar uma abertura” entre a Igreja e o mundo.

“A exposição tem o objetivo de provocar essa abertura, para que depois cada pessoa possa fazer a sua reflexão acerca do papel que a cultura e a Igreja têm na sua vida pessoal e mesmo comunitária”, finaliza.

LS

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