Episcopado americano mostra-se solidário com os manifestantes e apela a «forte compromisso cultural e comercial»

Foto Epa/Lusa

Washington, 23 jul 2021 (Ecclesia) – Os bispos dos Estados Unidos da América (EUA) afirmaram a sua “solidariedade” aos “homens e mulheres de boa vontade em Cuba”, e pedem que o governo americano promova “a paz e a concórdia” entre os dois países.

“Como declararam os bispos cubanos na sua declaração de 12 de julho: «Não se chegará a uma solução favorável por imposições, nem por apelos ao confronto, mas quando se exerce a escuta mútua, se procuram acordos comuns e se dão passos concretos e tangíveis que contribuem, com a colaboração de todos os cubanos sem exclusão, para a construção da Pátria ‘com todos e para o bem de todos’”, lembra o episcopado americano, num comunicado publicado no site da Conferência dos estados Unidos da América.

A nota, assinada pelo arcebispo José H. Gomez de Los Angeles, presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos e por D. David J. Malloy de Rockford, presidente do Comité de Justiça e Paz, pede “que se procure a paz, que vem da reconciliação e da concórdia entre os países”.

“Durante décadas, a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, em conjunto com a Santa Sé e os bispos cubanos, apelou a um forte compromisso cultural e comercial entre os Estados Unidos e Cuba como forma de ajudar a ilha a alcançar maior prosperidade e transformação social”, sublinham.

Os cubanos saíram à rua, no dia 11 de julho, em manifestações onde gritam «Temos fome», «Liberdade» e «Abaixo a Ditadura», por causa da crise económica, que agravou a escassez de alimentos e medicamentos, e obrigou o governo a cortar a eletricidade durante várias horas por dia.

Os bispos americanos querem manifestar “solidariedade” aos “irmãos bispos no episcopado cubano e a todos os homens e mulheres de boa vontade em Cuba” e afirmam a sua oração para que “os dois países possam crescer em amizade no interesse da justiça e da paz”.

Em causa está o embargo dos Estados Unidos a Cuba, que vigora desde 1958, apesar da política de reconciliação, iniciada em 2014, pelo presidente Barack Obama, mas que teve um retrocesso com Donald Trump, que afirmou o estado cubano como “patrocinador do terrorismo”.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, prometeu durante sua campanha presidencial aliviar algumas das sanções contra Cuba e espera-se que o governo anuncie, em breve, os primeiros passos para rever a sua política com Cuba e como resposta à repressão de Havana aos protestos.

LS

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