Academia Pontifícia para a Vida fala em «lição de fragilidade» para toda a humanidade

Foto: Lusa/EPA

Cidade do Vaticano, 22 jul 2020 (Ecclesia) – A Academia Pontifícia para a Vida (APV), da Santa Sé, publicou hoje uma nota sobre a crise sanitária provocada pelo novo coronavírus, defendendo a distribuição universal de uma vacina, assim que estiver disponível.

“O único objetivo aceitável, coerente com uma oferta justa da vacina, é o acesso para todos, sem exceções”, refere o documento, enviado à Agência ECCLESIA.

A APV convida a implementar a cooperação internacional e promover a solidariedade responsável na resposta à crise, para que se reconheça como “direito humano universal”, o “acesso à assistência médico-sanitária de qualidade e medicamentos essenciais para todos”.

Segundo o organismo da Santa Sé, a pandemia aumentou a diferença entre países ricos e pobres, frequentemente atingidos por outras doenças, como a malária e a tuberculose.

Neste contexto, a APV refere que “a dimensão pública da pesquisa não pode ser sacrificada em prol do lucro privado”, desafiando a Organização Mundial da Saúde a atender às “necessidades e preocupações dos países menos desenvolvidos, para enfrentar esta catástrofe sem precedentes”.

D. Vincenzo Paglia, presidente da Academia, defende a necessidade de “regular a pesquisa de forma que ela não apenas responda a interesses políticos e económicos” de poucos, para que “os benefícios possam ser distribuídos de forma justa”.

O texto ‘Humana communitas na era da pandemia. Reflexões intempestivas sobre o renascimento da vida’ segue-se ao de 30 de março, sobre ‘Pandemia e fraternidade universal’.

A reflexão fala numa “lição de fragilidade” para toda a humanidade e propõe uma “ética do risco”.

“No sofrimento e na morte de tantos, aprendemos a lição da fragilidade. Em muitos países, os hospitais continuam a lutar, recebendo pedidos avassaladores, enfrentando a agonia da racionalização de recursos e o esgotamento do pessoal de saúde”.

Todos nós podemos sucumbir às feridas da doença, ao massacre das guerras, às ameaças esmagadoras dos desastres. À luz disso, surgem responsabilidades éticas e políticas muito específicas em relação à vulnerabilidade de indivíduos que correm maiores riscos para a sua saúde, a sua vida, a sua dignidade”.

O texto sublinha a “interdependência humana e a vulnerabilidade comum”, questionando os países que “fecharam as suas fronteiras”, porque “o vírus não conhece fronteiras”.

“Testemunhamos o rosto mais trágico da morte: alguns experimentaram a solidão da separação, tanto física como espiritual, de todo o mundo, deixando as suas famílias impotentes, incapazes de dizer-lhes adeus, sem sequer conseguir proporcionar os atos de piedade básica, como por exemplo um enterro adequado”, pode ler-se.

A nota conclui-se com a proposta de “uma atitude de esperança” que permita um futuro melhor para todos.

OC

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