Trabalho vai ser desenvolvido em cinco âmbitos e depende do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, da Santa Sé

EPA/FILIPPO VENEZIA

Cidade do Vaticano, 16 mai 2020 (Ecclesia) – O Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, da Santa Sé, criou uma comissão «Covid-19» que tem por objetivo refletir sobre “questões relacionadas com a pandemia, em áreas como a ecologia e a economia”.

O trabalho desta comissão foi apresentado esta manhã, no Vaticano, pelo cardeal Peter Turkson, prefeito do Dicastério, numa conferência de imprensa sobre «Covid-19, crise alimentar e ecologia integral: a ação da Igreja», tendo como objetivo assinalar a semana «Laudato si», que tem hoje início e decorre até ao dia 24.

“Iniciada como um problema de saúde, a pandemia de Covid superou drasticamente o equilíbrio, os aspectos e as áreas da existência humana. Da economia ao estilo de vida, da segurança alimentar à pesquisa, da política ao papel principal da inteligência artificial”, afirmou o cardeal Peter Turkson, que apresentou a ação da comissão «Covid-19» em cinco âmbitos, dada a conhecer em abril.

“Um primeiro grupo recorre às igrejas locais para ouvir sua experiência, sempre referindo-se à crise que explodiu com a pandemia, para ver como intervir para fortalecê-las e torná-las arquitetas de soluções. Incentivar o uso das redes Caritas é outro objetivo importante”, indicou.

O segundo grupo de trabalho, em colaboração com a Academia Pontifícia para a Vida e a Academia Pontifícia das Ciências, além de outras organizações que colaboram com o Dicastério,”vai realizar pesquisas e estudos interdisciplinares sobre questões relacionadas a pandemia”, para além de refletir “sobre uma sociedade e um mundo pós-Covid-19, especialmente nas áreas de ecologia, economia, emprego, saúde, política e governo, comunicação e segurança, enquanto formulava novos caminhos”.

O responsável apresentou ainda um terceiro grupo, coordenado pelo Departamento de Comunicação, com o objetivo de “organizar estratégias de comunicação para informar sobre as atividades dos grupos de trabalho e promover a comunicação entre as Igrejas locais”, incentivando à “autenticidade e credibilidade de perspectivas futuras”.

Um quarto grupo, apresentou o cardeal Turkson, que vai ser coordenado pela segunda Seção para as relações com os Estados da Secretaria de Estado, vai assumir as “atividades da Santa Sé e das relações com os Estados e as organizações intergovernamentais com o objetivo de promover e partilhar dados para atividades multilaterais”.

O quinto grupo de trabalho vai ser responsável pela captação de recursos, com vista ao apoio de “atividades das igrejas locais, organizações católicas, bem como suas atividades de pesquisa, análise de dados e comunicação”.

O secretário do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, monsenhor Bruno Marie Duffé, afirmou a vulnerabilidade da pessoa humana perante catástrofes naturais.

“Não podemos continuar a acreditar que somos todos poderosos e imunes a convulsões naturais e climáticas. A pandemia mostrou o nosso déficit de pensamento, a antecipação das crises e o déficit de investimentos em equipamentos e prevenção de saúde. Por fim, nossa fragilidade também é económica: hoje redescobrimos que saúde e solidariedade são condições e pilares indispensáveis ​​à nossa economia”, afirmou.

O desafio, explica o monsenhor Duffé, é ajudar os necessitados e “transformar o medo em esperança e fraternidade, através de uma conversão”.

A missão da Igreja é, antes de tudo, “ouvir e acompanhar as pessoas e os seus sofrimentos”, propondo também uma “reflexão sobre o vínculo entre a dimensão crise ecológica, económica e social, porque tudo está ligado”.

O padre Augusto Zampini-Davies, Secretário Adjunto do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, afirmou ser hora de “uma conversão ecológica profunda e global” que ajude a “inspirar a uma maior criatividade e entusiasmo”.

Na conferência de imprensa foi ainda destacado o trabalho da Caritas Internationalis, que se encontra “na linha de frente da resposta ao Covid-19 desde o início” com adaptação de “programas” para responder às “necessidades em rápida expansão”.

Este trabalho está a ser realizado em “estreita colaboração com o Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral”.

LS

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