Pároco em Castelo Branco refere que a presença no mundo digital é um «bálsamo» para as pessoas

Castelo Branco, 06 mai 2020 (ECCLESIA) – O padre Nuno Folgado, da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, considera que as exéquias neste tempo de pandemia, com limitação de participação, deixam sequelas “muito sérias” nas pessoas.

“Isto vai deixar muitas sequelas, estes não-lutos, as pessoas não poderem ver o corpo, como ponto de partida para o luto”, assinala o sacerdote, em entrevista à Agência ECCLESIA.

O pároco de São Miguel da Sé, São José Operário e Nossa Senhora das Preces (Castelo Branco) realça que, apesar do confinamento, os sacerdotes têm tentado que a “presença no mundo digital seja um bálsamo para as pessoas”, até na evocação dos seus entes queridos que faleceram, aliviando “a dor e a saudade”.

O estado de emergência terminou, mas as precauções são ainda necessárias e a presença nas redes sociais ajuda na construção da comunidade através dos laços tecnológicos, assinala o entrevistado.

“A única coisa que fizemos foi desequilibrar um bocadinho para este lado porque já estávamos presentes nesta realidade”, indica.

Segundo o padre Nuno Folgado, a participação das pessoas tem sido “cada vez mais natural”, todavia, ao princípio muitas delas “estranharam”.

Temos gente que era de Missa diária e continua a ser de Missa diária; e temos gente que não era e que agora sente a possibilidade de ser”.

As pessoas têm “reagido bem” apesar de haver “muitas pessoas que não têm cartão de cidadão digital”, frisou o padre Nuno Folgado.

Mesmo que não tivesse existido a pandemia, o sacerdote entende que “esta presença no mundo digital é uma questão de relevância” porque “uma parte significativa da vida de hoje passa-se nesta dimensão”.

O pároco espera que as pessoas “não deitem fora estas ferramentas”, porque elas “são muito necessárias” para que a Igreja tenha alguma relevância na sua vida”

A entrevista está em destaque hoje no programa ECCLESIA na Antena 1, com emissão pelas 22h45, que até sexta-feira aborda a forma comunidades e os sacerdotes se têm adequado à prática cristã no contexto das mudanças provocadas pela pandemia de Covid-19.

LS/LFS/OC

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