«Estou esperançado de que possamos sair melhores, ou seja, mais capazes de cuidar dos mais frágeis», disse o coordenador da Comissão Nacional da Pastoral da Saúde

Lisboa, 25 jan 2021 (Ecclesia) – O padre e médico José Manuel Pereira de Almeida diz-se “pronto” para ajudar no combate à pandemia Covid-19, prestando cuidados de saúde, e pediu uma maior atenção à situação dos mais frágeis.

“Os médicos que estão reformados podem ser chamados a dar o seu contributo. Não vai ser em cuidados diferenciados, porque já não estamos preparados para isso, mas há muitas coisas de mão-de-obra, não muito qualificada, que estou pronto”, referiu o coordenador da Comissão Nacional da Pastoral da Saúde da Igreja Católica, em entrevista à Agência ECCLESIA, emitida hoje na RTP2.

O padre José Manuel Pereira de Almeida sublinhou a importância da vacinação, para travar a pandemia, e considerou que “semear a desconfiança e a suspeita”, acerca das vacinas, “é um mau serviço a humanidade”.

O sacerdote entende que seria muito importante, enquanto “testemunho”, a comunidade católica “deixar-se vacinar” e manter um “comportamento exemplar”, cumprimento as orientações das autoridades de saúde.

O coordenador nacional da Comissão da Pastoral da Saúde recordou o Papa Francisco, para sublinhar que ninguém vai “sair desta pandemia da mesma maneira”: “Ou saímos melhores ou saímos piores”.

Estou esperançado de que possamos sair melhores, ou seja, mais capazes de cuidar dos mais frágeis, mais sensíveis ao sofrimento dos outros, menos fechados em nós, ainda que esta última hipótese esteja sempre aberta. Seria a catástrofe moral, se cada um só pensasse em si, julgando que fechando-se em si se salvava sozinho”.

O padre José Manuel Pereira de Almeida considera que as desigualdades se “acentuaram”, ao longo da pandemia, pelo que, se as pessoas não tiverem cuidado, “podem permanecer em rota divergente”, alertando que “há sempre o perigo” sobre egoísmos nacionais e continentais, como no processo de vacinação.

Foto: Lusa

Segundo o responsável católico, Portugal beneficiou “claramente” com a negociação da vacina a nível europeu, mas espera que intervenha para que a mesma seja “considerada um bem comum da humanidade”, lembrando em particular o mundo lusófono.

“Esta pandemia veio mostrar aos mais autossuficientes que não é por um maior poder humano que acrescentamos dias à nossa vida”, referiu o padre José Manuel Pereira de Almeida, sublinhando a importância de “dar atenção à vacinação como bem comum da humanidade inteira” e “não ter continentes esquecidos como se não existissem”.

A Igreja Católica vai celebrar o Dia Mundial do Doente 2021, a 11 de fevereiro, na festa litúrgica de Nossa Senhora de Lurdes, e o Papa Francisco recordou as vítimas da pandemia na mensagem “«Um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos» (Mt 23,8). A relação de confiança na base do cuidado dos doentes”.

PR/CB/OC

 

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