Renata Ferreira enaltece testemunho de «generosidade» dos voluntários mas teme agravamento da situação

Lisboa, 21 mar 2020 (Ecclesia) – A diretora-geral da Comunidade Vida e Paz (CVP), Renata Ferreira disse hoje que há pessoas a passar fome, em Lisboa, e que a situação vai piorar.

“Neste momento sabemos que existem pessoas que estão com grandes limitações e dificuldades ao nível do acesso à comida; percebemos que há pessoas na rua que estão com fome e atendendo a todas as circunstâncias, temos procurado motivar os nossos voluntários para conseguir fazer esse trabalho”, afirma à Agência ECCLESIA.

A CVP, Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) tutelada pelo Patriarcado de Lisboa que tem como missão “apoiar as pessoas em situação de sem-abrigo em Lisboa, com o objetivo de as reabilitar e reinserir como cidadãos participativos na sociedade”, continua a desenvolver o seu trabalho, com a ajuda “dos voluntários” e de algumas instituições, mas nota as dificuldades crescentes.

“Percebe-se que de dia para dia temos necessidade de aumentar o número de senhas que distribuímos e não sabemos o que vai acontecer nos próximos dias. O que prevejo é que o número continue a aumentar dadas a dificuldades que todo o país começa a atravessar no que diz respeito à sua economia. Acredito que vão surgir famílias muito carenciadas e que precisam de apoio”, lamenta.

Com a ajuda dos voluntários, que compõem as equipas de rua, a instituição tem conseguido “manter as quatro voltas” que diariamente fazem à noite na cidade de Lisboa, apoiando as pessoas em situação de sem-abrigo nomeadamente na distribuição de comida, mas Renata Ferreira aponta dificuldades.

“Estamos a ter várias dificuldades ao nível da gestão dos recursos, porque todos os recursos são internos, e estamos com carência de equipamento de proteção como as máscaras, luvas e desinfetantes, bem como géneros alimentares para a constituir das próprias ceias”, indica.

Renata Ferreira valoriza as respostas da autarquia, nomeadamente a criação de um centro no Casal Vistoso para apoio às pessoas em situação de sem-abrigo, mas indica que, em breve, serão curtas.

“Não estamos a ir ao encontro das indicações e das medidas de contingência atuais. No entanto, da nossa parte, temos procurado dar todas as informações, distribuímos flyers sobre os cuidados, temos os contactos e encaminhamos as pessoas que queiram para estes centros que foram criados na cidade de Lisboa, mas obviamente é muito pouco a resposta que está, na minha perspetiva, a ser criada para as necessidades que temos e para as que se avizinham”, lamenta.

Para a diretora-geral esta é uma “fase delicada” pois há recursos para gerir, “com o apoio de instituições e não sabemos até quando”: “Tudo que neste momento diga respeito a reunir entre instituições, o apoio possível, é fundamental nesta hora”.

“Os voluntários que têm sido incansáveis, têm-se disponibilizado para sair das suas casas, deixando as famílias, sem abandonar as pessoas que estão neste momento mais desprotegidas”, valoriza.

Renata Ferreira destaca que “outras pessoas” se têm disponibilizado para ajudar e indica a constituição de um “banco de voluntários” criado para fazer face a substituição das equipas constituídas: “Não sabemos até quando, dadas as circunstâncias, o estado de emergência”.

Quem quiser ajudar pode entrar em contacto com a CVP através das redes sociais, ou contactar a sede através do número 21 846 01 65.

“Todo o apoio é necessário tendo em conta que somos uma IPSS, ainda não conseguimos perceber quais as medidas criadas para as instituições particulares de solidariedade social e temos de continuar a apoiar, e apoiar mais pessoas com menos recursos – menos recursos porque os donativos que anteriormente recebíamos deixamos de receber. Deixamos de ir a alguns supermercados fazer levantamento de géneros, atendendo às circunstancias”.

A CVP lançou uma campanha nas redes sociais de forma a recolher com vista à concretização da sua missão.

PR/LS

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