José Parente defende a criação de instituições especializadas de retaguarda

Lisboa, 09 jul 2020 (Ecclesia) – O responsável pelo Centro Paroquial Social São João Das Lampas, em Sintra, afirma que viver com a pandemia “tem sido uma tensão permanente”, mesmo sem casos de infeção, e defende a criação de instituições especializadas de retaguarda.

“Tem sido uma tensão permanente. Acho que não conseguimos viver ao dia, vivemos ao meio dia, e mesmo assim de hora a hora as notícias vão surgindo”, afirmou José Parente à Agência ECCLESIA

Segundo o responsável pelo Centro Paroquial Social São João Das Lampas, no Patriarcado de Lisboa, o facto de os idosos estarem em lares origina, da parte de toda esta estrutura que os apoia, “um constante descobrir de formas de ajudar”, impedindo que “esta situação da pandemia os afete”.

“Todos estamos a aprender com esta situação, a sociedade no seu todo, mas, de facto, os idosos são provavelmente na sociedade aquele grupo mais fragilizado em termos de capacidades físicas e, até mesmo, às vezes, humanas para ultrapassar este tipo de situações, tanto a nível da saúde como a nível social”, explicou.

No caso desta Instituição Particular de Solidariedade Social, houve a “possibilidade” de desenvolver com os colaboradores “um sistema chamado casulo, equipas de espelho”, que ficaram a residir no centro paroquial e social e “abdicaram das suas vidas pessoas, familiares”, durante dois meses e meio, entre março, abril e maio.

“Foram dois meses e meio muito intensos onde de facto, a toda a hora se questionava qual é a melhor forma, em paralelo os idosos ficaram privados da visita. Quem era o próximo não era o familiar, era o auxiliar que está ali 24 horas”, desenvolveu.

José Parente explica que agora já entraram “num ritmo normal, sempre com as máximas precauções”, depois do desconfinamento, em junho, porque “as pessoas estavam exaustas, estouradas, com este tipo de ritmo”.

“Retomamos as visitas, entendemos que não temos motivo para as suspender, as famílias têm respeitado, têm cumprido escrupulosamente as medidas que introduzimos. Os idosos, mais ou menos, têm alguma dificuldade em perceber o que se está a passar mas tentamos ao máximo introduzir uma série de regras que no nosso caso até à data não temos nenhum caso”, acrescentou, em entrevista transmitida hoje no Programa ECCLESIA (RTP2).

O responsável pelo Centro Paroquial Social São João Das Lampas no âmbito dos casos de infeção que têm surgido nos lares destaca que “há algo que tem de ser repensado, um lar é um equipamento social, não é um equipamento de saúde, não é um hospital”.

“Um lar tenta-se recriar a vida social, aprendemos uns com os outros, é um espaço onde podemos estar em comunidade, saudáveis, no sentido de não estamos a desconfiar uns dos outros, quem é que está infetado e quem é que não está infetado”, desenvolveu, considerando que o caminho devia ser a existência de instituições especializadas de retaguarda “não só para a pandemia”.

José Parente faz parte da Federação Solicitude, criada no Patriarcado de Lisboa, que integra entidades canónicas da área social, da saúde, da formação e do ensino, para promover o trabalho em rede e encontrar “algumas soluções, respostas e na pandemia também tem sido esse o desafio”.

O Centro Social Paroquial São João das Lampas é uma Instituição Particular de Solidariedade Social fundada pelo padre José do Casal, em 7 de Fevereiro de 1956.

HM/CB/OC

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