Iniciativa decorre na Paróquia de Santa Cecília

Foto: Centro Social Santa Cecília

Funchal, Madeira, 23 mar 2020 (Ecclesia) – O grupo de acólitos da Paróquia de Santa Cecília, no Arciprestado de Câmara de Lobos (Diocese do Funchal), está a disponibilizar-se para ajudar a população mais idosa, indo às compras ou à farmácia.

“Esta é uma iniciativa muito bem vinda nos dias que correm”, afirmou o pároco local, padre Duarte Gomes, à Agência ECCLESIA.

A ideia nasceu do responsável pelo grupo de acólitos, que é colaborador do Centro Comunitário de Santa Cecília e conhece a realidade.

“A iniciativa nasce de alguém que esteve sempre no terreno e conhece as pessoas, o centro de dia não está a funcionar, as pessoas estão nas suas casas e há que as ajudar, são pessoas idosas que não têm possibilidade de se deslocar ao supermercado e às farmácias e ter acesso aos medicamentos essenciais”, indica o sacerdote.

Muitos dos idosos a que a ajuda se destina frequentam o centro de dia e “não têm familiares por perto ou vizinhos disponíveis”.

“Não queremos esgotar todos os serviços, mas é mais uma ajuda entre outras que possam chegar, neste momento todas são bem-vindas”, adianta.

O padre Duarte Gomes, que chegou a esta paróquia em outubro de 2019, contou que a ideia foi muito bem recebida pelos acólitos, um grupo que conta com cerca de 100 elementos.

Eles ficaram entusiasmados e aceitaram como se fosse um desafio, não são todos, porque o grupo tem desde crianças a jovens adultos, e só os mais velhos e que queiram aderir estão convocados”.

A ajuda está no terreno desde esta segunda-feira, com o apoio de uma carrinha do Centro Comunitário para levar as entregas, um serviço que o pároco elogia.

“Este é um serviço próprio de um grupo de acólitos, mas sobretudo dos jovens, eles têm esta maravilha que é ter um coração generoso e são muito sensíveis às questões da justiça e bem dos outros, ainda para mais vindo de um grupo de jovens católico”, refere.

Neste momento de pandemia que exige isolamento social, o padre Duarte Gomes confessa “não ser fácil”.

“É uma situação complicada, nunca tínhamos vivido uma situação destas e não é facil estar em casa, não é fácil estar a celebrar com os bancos vazios da igreja e depois não é facil ouvir os comentários das pessoas com uma sensação de derrota ou não ter o que fazer”, afirma.

Nesta fase, o sacerdote acredita que a “Igreja tem de ter palavras de esperança” e ser “sinal da luz da ressurreição e alegria da vida”.

Os contactos através das redes sociais e alguns telefonemas têm diminuído esta distância com o pároco e o padre Duarte Gomes surpreendeu-se com os pedidos de ajuda.

Reze por nós, reze por mim e pela minha família, é o que mais ouço neste contactos, não é ajuda material que me pedem mas é este sentido que precisam”.

Considerando estes pedidos, o sacerdote renovou a sua disponibilidade para “conversar um pouco” porque também sente que essa é a “missão do sacerdote, estar disponível para ouvir”. 

SN/OC

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