D. José Ornelas admite impacto negativo nas contas das instituições católicas

Foto: Agência ECCLESIA/PR

Fátima, 12 out 2020 (Ecclesia) – O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) alertou hoje em Fátima para o impacto social e económico da pandemia nas populações mais desprotegidas do país e nas instituições de solidariedade.

“Esta crise repercutiu-se com muita seriedade na vida das famílias e das pessoas que vivem com maior dificuldade”, disse D. José Ornelas aos jornalistas, na conferência de imprensa de apresentação da peregrinação internacional aniversária de outubro, a que preside entre hoje e amanhã.

O bispo de Setúbal destacou que as paróquias, onde a crise também tem um impacto “sério”, são um “barómetro social”, que ajuda a perceber o que vai acontecendo no país.

Segundo o responsável católico, os serviços destinados às pessoas carenciadas têm registado uma “subida exponencial” de pedidos de ajuda, nos primeiros meses de 2020.

“Aí se vê o drama que acontece à volta e dentro de cada paróquia, de cada instituição”, precisou.

O presidente da CEP apelou a uma atenção particular aos “imigrantes recentes”, que se encontraram “sem nada, de repente”, com situações “realmente dramáticas”.

D. José Ornelas assumiu que, do ponto de vista económico, a pandemia provocou um “problema sério” para a Igreja Católica, sobretudo nas instituições com maior número de trabalhadores, onde há mais peso dos ordenados.

As dificuldades estendem-se à “manutenção da vida da Igreja”, tendo o bispo sadino apresentado um exemplo de paróquias da Diocese de Setúbal: “A retribuição que o padre costuma receber teve de ser reforçada, a nível central, para que não faltasse o essencial”.

“Isto constitui um problema relevante e prático na vida da Igreja”, insistiu.

Foto: Agência ECCLESIA/PR

D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, referiu por sua vez que uma das sugestões apresentadas pela CEP passa por “reunir os vigários-gerais” de todas as dioceses, sobre esta matéria, para se traçar uma “radiografia” da situação económica, face à “quebra das receitas”.

O cardeal apontou o caso particular da Cáritas, que está a sofrer um “impacto forte”, dada a suspensão do seu peditório público anual,

“Tem aumentando o número de pessoas e famílias que batem à porta da Cáritas, sobretudo para as necessidades mais básicas”, alimentação, luz, água, relatou.

Já o reitor do Santuário, padre Carlos Cabecinhas, realçou que a falta de peregrinos afeta “toda a vida da cidade de Fátima e suas imediações”.

“Temos procurado estar atentos às situações de carência que têm emergido”, indicou, aumentando em 60% os apoios a pessoas e famílias, bem como a IPSS, num total de 700 mil euros.

D. José Ornelas assinalou ainda que o período de confinamento gerou “esquemas diferentes”, desejando que as pessoas recuperem “o gosto e a necessidade de se encontrarem”.

“Isto não é uma questão para a Igreja, simplesmente”, observou.

PR/OC

Na sua intervenção, D. António Marto destacou que não basta olhar só para uma “Igreja de números”.

“Não sabemos ainda quando e como é que isto vai terminar”, indicou.

O cardeal comentou a encíclica ‘Fratelli Tutti’, sobre a fraternidade e a amizade social, publicada no dia 4 de outubro, referindo que a mesma “condensa o pensamento social do Papa Francisco”, com uma “nova narrativa” para a Doutrina Social da Igreja.

“A encíclica propõe a ‘alternativa Francisco’, perante um mundo desumanizado, fragmentado, dividido, cujas patologias foram postas a nu e agravadas pela pandemia”, observou.

D. António Marto deixou votos de que o distanciamento social não se torne “distanciamento da solidariedade, da humanização, do contacto”.

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