Organismo considera que na segunda fase da pandemia «a dádiva de entreajuda tem vindo a esbater-se no tempo»

Foto: Lusa

Évora, 27 fev 2021 (Ecclesia) – A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Évora apela à “responsabilidade social” na pandemia Covid-19, alertando para a situação “dos mais desfavorecidos e, dos migrantes em dificuldades, em particular”, e incentiva à “luta contra a indiferença”.

“Nesta segunda fase a dádiva de entreajuda tem vindo a esbater-se no tempo, sendo presentemente notória uma grande indiferença em relação aos mais necessitados”, assinala a organização, explicando que, entre março e setembro de 2020, a sociedade reagiu com “enorme espírito de solidariedade e proximidade”.

Numa nota enviada à Agência ECCLESIA, a Comissão Diocesana Justiça e Paz de Évora afirma que a situação é “ainda mais gravosa” no caso dos migrantes que vivem e trabalham no Alentejo, na maioria de países da Ásia e do leste europeu.

“São frequentemente trazidos por máfias que os exploram sem escrúpulos, a que se alia uma forma de vida diferente e um desconhecimento da língua e dos costumes”, acrescenta, alertando para são os “novos ‘escravos’ dos tempos modernos”, plenos de deveres e com poucos ou nenhuns direitos que garantam a sua integração e dignidade.

“O ‘vírus da indiferença’ ainda é mais evidente no seu dia-a-dia, porque alguma população os encara com desapego e insensibilidade. Tratando-se, na sua generalidade, de pessoas sem família, a sua integração sociocultural é ainda mais difícil, sentindo-se igualmente desmotivados, inseguros e um alvo fácil de exploração laboral”.

A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Évora considera que “são múltiplas” as causas “do alheamento ou do desinteresse” da sociedade com quem mais precisa, estando na sua essência o “enfático discurso político sobre os efeitos da Covid-19 na saúde e na economia”, secundarizando a componente social.

Neste sentido, identifica a “impotência” sentida pelas instituições em geral e, em particular, as de solidariedade social”, bem como a excessiva burocracia no acesso aos “programas de ajuda”.

O organismo da Arquidiocese de Évora acrescenta ainda que se acumula, por exemplo, “o cansaço da população” no combate à pandemia, a perda de familiares e amigos, os consecutivos confinamentos, “a falta de visão estratégica dos decisores”, o comodismo e a “anestesia às carências alheias”.

“Na ausência de apoios institucionais concretos aos mais desprotegidos e marginalizados, é nosso dever apelar à responsabilidade e consciência individual de cada um de nós com especial enfoque para os cristãos que acabam de iniciar a sua Quaresma”, explica.

A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Évora assinala que dar um “maior auxílio e visibilidade a este flagelo”, a Igreja, que tem feito “o que é possível” pelas pessoas mais desfavorecidas e pelos “migrantes em dificuldades”, precisa de ser “mais proativa, mobilizadora e detentora de uma voz mais audível”.

Segundo a organização, para conduzir a sociedade a “reconsiderar e reponderar” um novo modelo de vida que seja “mais solidário, mais próximo, mais amigo, mais justo e mais fraterno”.

CB

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