Eugénio Fonseca encontrou-se com o presidente da República e pede plano nacional contra o empobrecimento

Foto: Presidência da República

Lisboa, 27 out 2020 (Lusa) – O presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, alertou hoje para o agravamento da crise social e económica provocada pela pandemia, após uma audiência no Palácio de Belém com Marcelo Rebelo de Sousa.

“Vamos entrar em períodos muito difíceis, a Cáritas está a ter muitas dificuldades em atender a todas as situações que aparecem”, referiu o responsável aos jornalistas, depois do encontro com o presidente da República Portuguesa.

Eugénio Fonseca falou num aumento de 48% na procura de ajuda, por causa do impacto da Covid-10, chamando a atenção para a situação de famílias monoparentais ou jovens adultos que perderam rendimentos e viram os seus projetos de vida “regredir”.

Segundo o responsável, 50 mil pessoas pediram ajuda à organização católico no primeiro semestre de 2020.

As necessidades passam pelas contas de “água, luz e gás”, na sequência de uma crise “abrupta e agressiva”.

A Cáritas lançou um projeto que uniu cooperativas agrícolas e caixas de crédito agrícola para oferecer apoio alimentar – em dinheiro ou bens – a famílias e instituições mais carenciadas.

O presidente da instituição pediu que a resposta a crise inclua um “plano contra o empobrecimento”, que tenha em considerações o acesso à habitação, a saúde, a educação e a política fiscal.

O Governo criou uma comissão de coordenação para elaborar, até 15 de dezembro, a estratégia nacional de combate à pobreza.

Numa mensagem pelo Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza (17 de outubro), a Cáritas sublinhava que, “tendo em conta os indicadores públicos, as dificuldades podem vir a ser muito maiores a partir do último trimestre deste ano, com agravamento no primeiro trimestre de 2021”.

Foto: Cáritas Portuguesa

A rede nacional da organização católica ajudou perto de 6000 pessoas, entre abril e outubro, no âmbito do programa ‘Inverter a Curva da Pobreza em Portugal’, de resposta direta às vítimas do novo coronavírus.

Este apoio, no entanto, “não representa a totalidade do trabalho” de cada Cáritas Diocesana, as quais “continuam a prestar apoio no atendimento social e a trabalhar nos seus projetos locais de desenvolvimento social”.

Além das necessidades a nível alimentar, a Cáritas assume respostas financeiras no apoio ao pagamento de despesas de rendas para habitação (61%), de despesas relacionadas com a saúde, como a aquisição de medicamentos e realização de exames médicos (17%) e ao pagamento de despesas relacionadas com a eletricidade (11%).

OC

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