D. Manuel Quintas explica que querem «deixar a todos uma palavra de esperança» e «ser parte ativa» na sociedade

Foto Samuel Mendonça/Jornal Folha de Domingo

Faro, 17 ago 2020 (Ecclesia) – O bispo do Algarve afirma que esta Igreja Diocesana quer ajudar na crise provocada pela pandemia de Covid-19, com palavras de “esperança” e apoio à sociedade, na nova nota pastoral ‘na linha da frente para vencer a indiferença’.

“Queremos, enquanto Igreja Diocesana, deixar a todos uma palavra de esperança e dizer-vos que queremos ser parte ativa não só na reflexão sobre este problema, que é de todos, como também na nossa mobilização para a linha da frente, no apoio aos mais necessitados, para reerguer a vida pública, familiar e cristã”, escreve D. Manuel Quintas.

Na nota pastoral, enviada à Agência ECCLESIA pelo jornal diocesano ‘Folha do Domingo’, o bispo do Algarve lembra que “é opinião unânime” que a economia mundial está “há muito desequilibrada”, uma situação “agravada ainda mais por esta pandemia” do novo coronavírus, no caso português a economia “entrou em recessão”, e contextualiza que o setor do turismo, “o mais importante na região do Algarve”, foi “severamente atingido e há poucas expetativas de melhoria da situação”.

“É evidente que o Algarve é uma das regiões mais afetadas, estimando-se um nível assustador de destruição de postos de trabalho, de 40% ou mais”, acrescenta D. Manuel Quintas, alertando também que a região “tem carências elevadas nas respostas sociais e na área da saúde, que urge colmatar”, e “é tempo de fazer diferente”.

Na nova nota pastoral, o bispo do Algarve afirma que “é tempo de valorizar” o que é português, “não esquecendo as festas e tradições, ainda que as vivendo de modo distinto, “consumindo produtos locais”, fazendo as férias na região, “usufruindo da gastronomia regional na restauração”, visitando os monumentos e museus.

“Estaremos a construir a comunhão e a ajudar o próximo, estaremos a reerguer a economia do nosso Algarve, sem deixar de beneficiar do necessário descanso, bem como do convívio e da presença reconfortante dos que mais gostamos”, salienta, observando que os governantes “saberão avaliar e compreender a realidade especial” que se vive no Algarve e “encontrar fórmulas apropriadas para ajudar a preservar empregos e fazer a economia retomar o seu crescimento”.

“A consciência de que vivemos momentos difíceis leva-nos a apelar à união, ao espírito de comunidade e a ter esperança na redescoberta de novos caminhos, em que os interesses comuns prevaleçam sobre ideologias ou interesses particulares. Aos cristãos cabe uma responsabilidade particular. O serviço sociocaritativo não pode reduzir-se a uma simples atividade de assistência social”, desenvolve.

D. Manuel Quintas refere que “é inegável” que o coronavírus Covid19 “mudou a forma e o ritmo habitual das vidas”, o risco de ser contagiado e contagiar outros “obrigou” a assumir um comportamento “completamente novo aos mais diversos níveis da vida em sociedade” e destaca que a “própria Igreja está a viver tempos novos”, atenta aos sinais e “na escuta das inquietações e angústias do homem de hoje”.

“A Igreja é chamada a levar a todos o conforto da fé e do pão partilhado, a confiança e a esperança em dias melhores pelo contágio do amor de Deus manifestado em Cristo ressuscitado, mobilizando todos os seus membros para a linha da frente para vencer a indiferença, na resposta aos anseios mais profundos, que brotam do coração humano”, salienta.

Na nova nota pastoral ‘na linha da frente para vencer a indiferença’, divulgada pelo jornal diocesano ‘Folha do Domingo’, o bispo do Algarve manifesta o “apoio” e exorta ao clero algarvio, particularmente os párocos com os leigos que os assistem, a que “avaliem a necessidade de uma reestruturação do serviço sociocaritativo”, para que “toda a comunidade se sinta na linha da frente”, comprometida e empenhada na resposta às emergências sociais já existentes ou que, porventura, possam vir a surgir ou a aumentar.

CB

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