D. Francisco Senra Coelho explica ação concertada da Fundação Eugénio de Almeida com outras instituições

Foto: RR

Évora, 05 mai 2020 (Ecclesia) – O arcebispo de Évora afirmou hoje que há “preocupações muito sérias” com a quebra de rendimentos nas famílias que têm “necessidade de apoio suplementar” perante a crise provocada pela pandemia de Covid-19.

“Há maior procura de apoio nomeadamente na alimentação, mais recurso à Cáritas Arquidiocesana, às instituições de caráter de solidariedade, e uma apreensão muito grande. As famílias estão em lay-off, com 60% do ordenado, sabemos que o ordenado mínimo em Portugal já é muito reduzido perante o custo do nível de vida”, disse D. Francisco Senra Coelho à Agência ECCLESIA.

O arcebispo alertou que “o problema é grave”, exemplificando com “a chamada cidade-museu” de Évora, “património da humanidade”, que “tem uma componente muito grande de turismo”, um setor onde se registou uma “queda a pique” na restauração, na hotelaria, nos lugares de acolhimento.

A arquidiocese, em particular, tem “dois pontos significativos” que são a Capela dos Ossos, na igreja de São Francisco, e a catedral e o seu museu, que foram fechados.

“As pessoas que trabalham neste setor estão a viver momentos de grande preocupação e é um número considerável que tem o seu sustento assente nesta nova indústria que é o turismo”, alertou o responsável católica, acrescentando “ainda ligada a esta dimensão” a produção vitivinícola, que “está a viver dificuldade de escoamento”, uma “queda superior a 40% que afeta muito a região.

O arcebispo de Évora é também presidente do conselho de administração da Fundação Eugénio de Almeida, que criou uma cozinha social depois de reunir numa plataforma solidária as Instituições de SOLIDARIEDADE social e escutar “as necessidades” que existem, a começar pela “básica”, que é a alimentar”.

“A Biblioteca dos Sabores, que funcionava com missão de servir refeições e fazer a promoção dos vinhos da Cartuxa, passou a usar funcionários, cozinhas, e o espaço para fazer a distribuição de alimentos a até 200 pessoas enviadas por estas instituições, a Refood, a Cáritas Arquidiocesana, e outras”, explicou D. Francisco Senra Coelho, referindo que “os pedidos de apoio aumentaram muito” também na Santa Casa da Misericórdia.

Segundo o entrevistado, “há muito tempo” que a instituição “cultiva uma relação de apoio, através de um acordo com a Cáritas Arquidiocesana” que tem na valência de apoio domiciliário um “serviço muito significativo”.

A Fundação Eugénio de Almeida e a Santa Casa da Misericórdia de Évora já ofereceram um ventilador ao Hospital do Espírito Santo de Évora.

O arcebispo adiantou que a fundação está a pensar em outras formas de resposta solidária, “nomeadamente no apoio a crianças que precisam de equipamento informático para acompanhar as aulas” em suas casas.

A Arquidiocese Évora é “a mais extensa de Portugal”, abrangendo concelhos de Portalegre, Santarém e Setúbal, além da região alentejana.

No contexto da atual pandemia de Covid-19, a arquidiocese criou uma linha telefónica de acompanhamento espiritual  -que funciona diariamente, das 17h00 às 20h00, e “tem sido tem utilizada espantosamente”, segundo D. Francisco Senra Coelho – e disponibilizou 25 quartos no Seminário Maior para ajudar profissionais de saúde empenhados no combate à pandemia.

CB/OC

Solidariedade: «Instituições vivem momento sufocante» – Arcebispo de Évora

 

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