Docente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa escreveu reflexão «Da perceção da pandemia»

Lisboa, 14 jul 2020 (Ecclesia) – A professora Annabela Rita, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, afirma que as pessoas procuram várias “fontes de informação”, como forma de defesa perante a atual pandemia, mas destaca que nem toda essa informação tem o mesmo valor.

“A nossa circunstância passa por tentar perceber e orientar-nos em função da informação que vai chegando, mas essa informação surge em espelhos que são conflituantes, que são contraditórios e muito heterogéneos”, referiu à Agência ECCLESIA.

A autora assina um dos textos do livro ‘Ressurgir – 40 perguntas sobre a pandemia’ (Paulinas), uma publicação interdisciplinar que reflete sobre as repercussões pessoais e familiares da crise sanitária e económica provocada pela Covid-19, com especialistas de áreas científicas, académicas, literárias e da sociedade em geral.

Annabela Rita explica que o leitor se vê hoje perante uma “panóplia de lugares” onde pode encontrar a informação que “julga fidedigna”, também associada ao “critério da acessibilidade”, do ponto de vista do “entendimento da informação”.

“A defesa das pessoas é irem a várias fontes de informação, e ir aos amigos que estão nos hospitais, médicos, profissionais de saúde, e que nos dão informação que contradiz claramente a versão oficial”, explica a professora universitária que escreveu o texto ‘Da perceção da pandemia’.

A entrevistada dá como exemplo o facto dos médicos e todos os profissionais de saúde “não serem testados de uma forma sistemática”, e eles “queixam-se disso e continua a ser essa a situação”, ou dos lares que, “agora, estão a ser testados de uma forma mais sistemática, mas quando surgem casos”.

“Na verdade nós não confiamos e é este balão à nossa volta, de informação conflituante, contraditória, que nos mantém numa espécie de balão magnético fora da realidade”, alerta.

A professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa assinala que as pessoas têm sido confrontadas “não apenas com a fragilidade do ser humano”, mas também com a sua “necessidade de encarar o contexto da natureza” e do que tem sido o “mundo civilizado”, o mundo tecnológico, o mundo que “altera as circunstâncias e os habitats”, uma atenção que “é pedagógica”.

“O ser humano reage muito aquilo que põe em causa a sua sobrevivência, mas depois a sua tendência natural é para normalizar a situação e banalizar o fator de alarme”, acrescentou.

Annabela Rita destaca também que o ser humano “é capaz de coisas maravilhosas” e as pessoas devem congratular-se e “ter esperança no futuro”, dando como exemplo os profissionais de saúde, que “estão na frente de batalha contra um inimigo que é terrível”.

“O ser humano é capaz de deitar a mão ao vizinho e tentar tudo para o ajudar”, afirma, destacando o exemplo do padre italiano Giuseppe Berardelli, que faleceu a 16 de março e se tornou uma imagem de todos os sacerdotes atingidos pela pandemia da Covid-19.

O livro ‘Ressurgir – 40 perguntas sobre a pandemia’, está dividido em cinco capítulos – ‘Vida, saúde e solidariedade’, ‘Pessoal-Familiar’, ‘Ciência, informação & cultura’, ‘Economia sustentável’ e ‘Espiritualidade’ – e ao longo das próximas duas semana, o programa ECCLESIA na rádio Antena 1 (22h45), dá voz a diversos autores das reflexões publicadas pelas Edições Paulinas.

HM/CB/OC

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