Carta ao FMI e Banco Mundial é subscrita por cardeais e bispos católicos

Foto: Cáritas

Lisboa, 15 out 2020 (Ecclesia) – Um conjunto de 140 responsáveis de Igrejas cristãs dos vários continentes, incluindo cardeais e bispos católicos, escreveu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Mundial para pedir o cancelamento da dívida dos países mais pobres.

Perante a crise provocada pela pandemia, os signatários da carta pedem que os recursos financeiros dos países em desenvolvimento sirvam para travar a Covid-19, citando a mensagem do Papa para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação (1 de setembro), na qual Francisco exorta a “cancelar a dívida dos países mais frágeis, à luz do grave impacto das crises sanitárias, sociais e económicas que têm de enfrentar”.

Os 140 responsáveis cristãs consideram que o perdão da dívida seria a “maneira mais imediata de liberar os fundos necessários” para evitar que milhões pessoas “sejam empurradas desnecessariamente para a pobreza, por causa da pandemia”.

O FMI e o Banco Mundial, as duas organizações internacionais de crédito mais importantes, abriram as suas reuniões anuais esta quarta-feira, pedindo que os países mais ricos ajudem o resto do mundo a enfrentar o impacto global da pandemia.

“Escrevemos num espírito de solidariedade e esperança. Cada um de nós testemunha o impacto que a pandemia do coronavírus teve sobre os membros mais vulneráveis das nossas comunidades devido a doenças, morte, fome e perda de meios de subsistência”, indica a carta dirigida às instituições.

O dinheiro tão desesperadamente necessário para medicamentos, equipamentos de proteção pessoal, bens alimentares de emergência e redes de segurança social ainda está a ser desviado para o pagamento da dívida”.

Os responsáveis cristãos pedem que o FMI e o Banco Mundial mostrem “uma liderança corajosa neste momento crítico” e cancelem as dívidas dos países em desenvolvimento, durante a duração desta crise.

“Sem o cancelamento da dívida, continua a ser elevado o risco de que as nações em desenvolvimento não tenham dinheiro para impedir a propagação do vírus, para curar as pessoas e para mitigar e recuperar da destruição económica e social”, indica a carta.

Na sua nova encíclica, ‘Fratelli Tutti’, o Papa sublinha que o desenvolvimento dos países mais pobres “é fortemente dificultado pela pressão resultante da dívida externa”.

“Em muitos casos, o pagamento da dívida não só não favorece o desenvolvimento, mas limita-o e condiciona-o intensamente. Embora se mantenha o princípio de que toda a dívida legitimamente contraída deve ser paga, a maneira de cumprir este dever que muitos países pobres têm para com países ricos não deve levar a comprometer a sua subsistência e crescimento”, escreve.

OC

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