Organizações portugueses consideram que compromissos na mitigação ficam «muito aquém do necessário»

Foto: Lusa/EPA

Lisboa, 21 nov 2022 (Ecclesia) – As ONG portuguesas Zero e Oikos classificaram como “histórica” a criação de um Fundo para Perdas e Danos, na Conferência da ONU para as Alterações Climáticas (COP27) que decorreu em Sharm El Sheikh, Egito.

“Esta foi uma vitória histórica da sociedade civil, em particular das populações mais vulneráveis, que lutaram pela criação deste fundo. Tal será, de acordo com a decisão agora tomada, um processo ainda moroso, mas relevante, a par de outros meios de financiamento”, referem as organizações, em nota conjunta enviada à Agência ECCLESIA.

A ZERO e a Oikos consideram, no entanto, que o texto final da COP27 “não reflete a necessidade de eliminar gradualmente todos os combustíveis fósseis”, que consideram essencial para “assegurar um aquecimento não superior a 1,5°C em relação à era pré-industrial”.

Aspetos cruciais da mitigação não foram consignados no plano de implementação de Sharm El Sheikh e não se progride em relação a Glasgow, como sejam o garantir um pico de emissões antes de 2025, a necessidade de metas mais ambiciosas de todos os países, ou o abandono progressivo ou definitivo dos combustíveis fósseis”.

Para as ONG portuguesas, os responsáveis políticos “não estiveram à altura e não souberam defender o futuro da humanidade perante os interesses das grandes empresas de petróleo e gás”.

“A COP27 alcançou um acordo histórico sobre a criação de um fundo de perdas e danos. Este acordo é um passo importante para compensar os países mais afetados pelas consequências das alterações, e que historicamente menos contribuíram para problema. Um passo fundamental para alcançar a justiça climática. Os apelos dos países em desenvolvimento e o trabalho incansável da sociedade civil nesta matéria, ao longo dos últimos anos, resultaram neste acordo histórico. Falta agora garantir a aplicação eficaz do fundo e continuaremos a trabalhar nesse sentido”, sublinha Ana Patrícia Fonseca, coordenadora do Departamento de Educação para o Desenvolvimento e Advocacia Social da FEC – Fundação Fé e Cooperação.

A ONGD, ligada à Conferência Episcopal Portuguesa, indica em comunicado enviado à Agència ECCLESIA que “os resultados da decisão da COP27 ainda estão longe de serem ousados e suficientemente transformadores, mesmo reconhecendo um bom passo na direção certa em relação às Perdas e Danos”.

Em relação a Portugal, ZERO e Oikos saudam a vontade de “desempenhar um papel mais ativo e preponderante nas próximas Cimeiras do Clima, incluindo a disponibilidade para coordenação política de temas em discussão, bem como a responsabilidade de ter uma presença física nos recintos através de um Pavilhão de Portugal”.

A COP27 terminou este domingo com a adoção de dois textos principais, uma declaração final e uma resolução sobre a compensação pelos danos causados pelas alterações climáticas sofridos por países vulneráveis.

A execução do fundo será elaborada por uma comissão especial e adotada na COP28, no final de 2023, que vai decorrer nos Emirados Árabes Unidos.

OC

COP27: «Portugal está limitado na influência mas tem feito caminho» – Plataforma Portuguesa das ONGD

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