Presidente da associação ambientalista Zero alerta para crise que atinge os países mais pobres

Foto: Lusa/EPA

Lisboa, 04 nov 2021 (Ecclesia) – Francisco Ferreira, presidente da associação ambientalista Zero, afirmou que a COP26, a decorrer em Glasgow (Escócia) é “absolutamente decisiva” para o futuro humanidade, que em parte já enfrenta a ameaça da extinção.

“Uma parte grande da humanidade vive em condições piores, já está num estado de pobreza significativo, com aquilo que serão as secas, as cheias, a subida do nível do mar: essa parte da humanidade está efetivamente em risco de extinção”, sustenta o professor universitário, convidado da entrevista semanal conjunta Ecclesia/Renascença, emitida e publicada em cada domingo.

O especialista realça que os povos mais vulneráveis são aqueles que irão sofrer mais com as consequências do aquecimento global.

“A humanidade enfrenta um desafio sem precedentes. Não apenas pelas alterações climáticas em si, mas também porque estamos a perder a nossa biodiversidade”, adverte.

Para Francisco Ferreira, a conferência de Glasgow é “verdadeiramente a última das últimas chamadas”.

“Não podemos continuar a queimar o carvão, o gás natural, o petróleo como temos feito”, precisa.

O presidente da Zero elogia o papel do Papa Francisco e as iniciativas inter-religiosas que procuram chamar a humanidade a “agir e de salvar o planeta”.

“Precisamos de passar à prática a verdadeira ecologia integral, de que o Papa fala, para a qual as pessoas estão disponíveis, mas os líderes continuam a pensar muito no curto prazo”, observa.

Francisco Ferreira fala numa uma “dívida ecológica” do Norte, em relação ao Sul global, apontando ao desafio de “estruturar uma nova economia com menores impactos no ambiente”.

Foto: RR/Joana Bougard

O entrevistado alerta para a necessidade de uma transição energética, sem “deixar ninguém para trás”.

“Temos 2 milhões de portugueses sem dinheiro para conseguir garantir esse conforto, durante o inverno. Ora, se vou penalizar os combustíveis fósseis, nomeadamente o gás, por exemplo, isso significa custos acrescidos. É preciso ter mecanismos de apoio, de financiamento, antecipados”, exemplifica.

O especialista defende que, antes de uma mudança de hábitos, é preciso mudar a “ideia de felicidade” que domina a sociedade contemporânea.

“A nossa qualidade de vida não tem a ver com termos tudo e mais alguma coisa, porque nessa altura ainda vamos querer mais”, conclui.

Mais de 120 líderes políticos e milhares de especialistas, ativistas e decisores públicos estão reunidos em Glasgow, até 12 de novembro, na 26.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26) para atualizar os contributos dos países para a redução das emissões de gases com efeito de estufa.

A COP26 decorre seis anos após o Acordo de Paris, que estabeleceu como meta limitar o aumento da temperatura média global do planeta a entre 1,5 e 2 graus celsius acima dos valores da época pré-industrial.

Henrique Cunha (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)

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