Reitor do Seminário de Coimbra pede gestos «proféticos» e «corajosos» no agir da Igreja e na sociedade

Coimbra, 04 set 2020 (Ecclesia) – O padre Nuno Santos afirma que a sinodalidade é a “única metodologia” que a Igreja pode ter e que no caminho conjunto os cristãos necessitam de propor “gestos proféticos”.

“A sinodalidade é a única maneira de sermos capazes de crescer e construir juntos. Sempre que não formos sinodais não vamos conseguir envolver as pessoas. A sinodalidade é um método, uma metodologia para a qual a igreja não pode fazer uma opção, sim ou não, a Igreja se quiser ser coerente com a sua metodologia, só pode ser sinodal”, explica o reitor do Seminário de Coimbra à Agência ECCLESIA.

O responsável reconhece sinais “entre os bispos em Portugal” de maior sinodalidade mas lamenta que a Igreja em Portugal seja “pouco corajosa”.

“Temos pouca coragem para gestos diferentes. A sociedade portuguesa é uma sociedade, genericamente instalada, com vantagens e desvantagens, e a Igreja em Portugal é genericamente instalada. Há homens e mulheres, bispos e padres, leigos que fazem a diferença? Há. Mas, em geral, ainda são poucos os gestos”, sublinha.

O padre Nuno Santos sublinha, nas «Conversas Originais – das palavras à ação», desta sexta-feira, a importância da profecia dos pequenos gestos.

“Tínhamos a ideia de que Roma era o lugar onde o Espirito Santo desaparecia, onde se perdia a fé, mas hoje Roma e o Papa vão à nossa frente e nós não estamos a conseguir acompanhar o Papa. Estamos com um passo mais lento do que o Papa”, indica.

O reitor do Seminário de Coimbra reconhece que “gestos muito bonitos”, entre a Conferência Episcopal e a vontade de “se reconfigurarem” aspetos pastorais, mas, pede “coragem, por isso significar fidelidade ao evangelho. Só por isso”.

“Essa sinodalidade é hoje mais fácil e mais possível, mais desejável e está a acontecer mais”, sublinha.

Os pequenos gestos, reconhece, fazem a diferença na relação e o Papa Francisco tem sido protagonista de “pequenos gestos que podem mudar o mundo”.

O caminho de conversão pastoral, “que já está a acontecer em muitos locais e onde já não é possível voltar atrás”, indica o padre Nuno Santos mostra a “perfeição, a beleza e a santidade”, não pessoal mas que nasce “do que Deus projeta em cada um”.

“Quem semeia dá o melhor de si, isso não significa que corra tudo bem nem que sejamos perfeitos. A perfeição, beleza ou santidade não está no nosso tamanho, mas no tamanho de Deus e no que Deus é e pode projetar através de nós. A esperança não está na perfeição, está no dar-se. Há muita gente que planta árvores, há muitos semeadores de futuro, mas a sociedade precisa de mais e a Igreja, em particular, agradece que as novas gerações se configurem como protagonistas de plantadores de naus a haver”, finaliza.

O padre Nuno Santos tem sido o convidado esta semana das «Conversas Originais – das palavras à ação», publicadas a cada dia, e do programa Ecclesia na Antena 1 às 22h45.

LS

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