Padre Rui Santiago partilha memórias de infância no coração da Serra da Estrela

Porto, 21 jul 2021 (Ecclesia) – O padre Rui Santiago, missionário redentorista, recordou o tempo de infância, pela Serra da Estrela, onde descobriu o valor do silêncio, partilhou com a Agência ECCLESIA que tem a música como companhia nas suas “férias chatas”, em que “treina a gratidão”. 

“Nos últimos anos as minhas férias são muito chatas, voluntariamente chatas, eu preciso de tempo chato, em que não aconteça nada, em que deixem estar sentado num canto qualquer a ler, está ótimo, se possível estar com quem goste, está perfeito”, refere o religioso.

Com um “dia a dia muito mexido” enquanto provincial dos Missionários Redentoristas em Portugal, o que “implica muitos quilómetros, pessoas e viagens”, o padre Rui Santiago assume que o seu desejo de descanso é “estar quieto, a ler fora do registo normal e não ter planos”.

“Eu sou da Serra da Estrela, adoro a mata, a serra é o meu habitat, estou em casa, o mar é uma bênção, mas até numa cidade me dou bem, no centro de uma cidade habitada, desde que possa estar cinco ou seis dias sem abrir o computador, sem preparar nada, sem ter nenhuma reunião”, explica.

O sacerdote disse ainda nesta ‘Conversa na ECCLESIA’ que recorda o silêncio da sua infância, “bem diferente, porque era tão vivo”.

Na infância o silêncio não existia, tudo era tão vivo, o rumor dos pinheiros, a minha casa era no cima da aldeia e não existia o silêncio, o que agora, crescidos, chamamos silêncio, para o menino Rui não era silêncio, era o diálogo das coisas e questionava se quando não estava lá as árvores faziam barulho… Agora o silêncio é mais espesso, é mais silencio”. 

Quando para de ler, no seu tempo de descanso, o padre Rui Santiago gosta de dar caminhadas ao som de música.

“Quando ando a caminhar ouço muito fusões, gosto da mistura entre gregoriano acompanhado por piano jazz, gosto de blues com música tribal africana, é um gueto dentro da world music, é onde me sinto bem”, conta. 

Outro processo que vai colocando em prática no tempo de férias é o “treino da gratidão”. 

“Gosto de estar a ler um livor e agradecer ao autor, como se fosse uma carta para mim, e até escrevo na página a agradecer, há livros que são tão importantes para mim, que na última página tenho escrita uma carta de agradecimento, isto é uma construção da gratidão, e eu esforço-me, a gratidão é algo que se treina”, aponta. 

As ‘Conversas na ECCLESIA’ desta semana trazem um olhar novo, e alguns desafios, para o tempo de férias com o padre Rui Santiago, Missionário Redentorista, todos os dias às 17h00, online, e pelas 22h45 na Antena 1 da rádio pública.

SN

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