Antigo diretor do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais apresenta a sua origem e mostra o horizonte que mantém

Ponta Delgada, Açores, 26 jul 2021 (Ecclesia) – O cónego António Rego diz que as ilhas e o mar dos Açores sempre fizeram parte do seu percurso e que, tendo viajado pelo mundo, nunca saíram de dentro de si.

“É inegável que nasci numa ilha e que essa ilha me tocou profundamente. Já percorri o mundo quase todo e nunca deixei de levar comigo esta ilha e isso significa estar rodeado do mar, com tom de infinitivo, mesmo quando as tempestades e as neblinas parecem querer ocultar tudo”, conta à Agência ECCLESIA.

A caminho dos 60 anos de sacerdócio, dedicados em grande parte à comunicação nas suas diferentes formas, o cónego António Rego radica na “ilha e no verbo”, – expressão de deu título a um livro na celebração dos 50 anos de padre – a origem do seu percurso, ao ponto de se tornarem “um só, no caminhar” do padre.

“Estando na ilha sinto-me próximo do verbo, que eu anuncio, e é minha missão anunciar o verbo. O verbo que me anunciou também a palavra, o verbo que me anima, me dá sentido à vida, que me faz ver esse grande livro – que é o grande verbo – a Bíblia e que a espalha pelos pontos por onde vou passando. A ilha, o verbo e eu, que sou insignificante, mas passam a ser um só no meu caminhar, e no caso, no meu navegar”, explica.

O mar, que é horizonte contemplado, é igualmente casa, onde o sacerdote gosta de mergulhar, “ver o fundo do mar, de coabitar com os peixes, as algas, as plantas, a sua beleza, os reflexos do sol” que são, simultaneamente, “reflexo da vida”.

Após a ordenação sacerdotal na Diocese de Angra, o padre António Rego, rumou ao continente onde, para sempre ficou ligado à pastoral da comunicação.

“Sem eu querer comecei a escrever, a pensar no mundo de hoje, que é um mundo digital, que ultrapassa o simples numérico, a simples soma das coisas, mas nos dá uma transcendência, uma distância e altura, a que chamamos digital”, afirmou.

As «Conversas na Ecclesia», com sabor e cenário no mar dos Açores, têm como convidado o cónego António Rego, que falou com a Agência ECCLESIA na Ilha de São Miguel, onde se encontra atualmente, para ler, ver e ouvir  às 17h00 em www.agencia.ecclesia.pt, e pelas 22h45 na Antena 1.

PR/LS

A Tempo

A tempo entrei no tempo,
Sem tempo dele sairei:
Homem moderno,
Antigo serei.
Evito o inferno
Contra tempo, eterno
À paz que visei.
Com mais tempo
Terei tempo:
No fim dos tempos serei
Como quem se salva a tempo.
E, entretanto, durei.

Vitorino Nemésio

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