Na semana em que se assinala o Dia de Portugal, três jovens lançam pistas de futuro nos «Momentos F5»


Lisboa, 08 jun 2020 (Ecclesia) – A juventude portuguesa viveu o tempo de pandemia aproveitando para serenar, “ganhando balanço” para os desafios e a certeza de uma “reinvenção da juventude em rede”, uma partilha nos Momentos F5.

Fábio Lopes, youtuber e influenciador digital conhecido como Conguito, disse à Agência ECCLESIA, que este tempo foi de paragem e reflexão do seu trabalho, gerindo as ansiedades que os jovens lhe enviavam. 

“O mundo está em ‘stand by’, as pessoas passavam por uma fase menos positiva e tive de repensar também o meu trabalho no digital; estava online e fui percebendo que a vida ia continuar… os jovens falavam das aulas, do estranho que era ter aulas por ‘zoom’ e as incertezas dos planos de verão, não haver festivais de música”, contou. 

O locutor Conguito respondia com “mensagens de esperança”, que a única forma de ultrapassar aquela fase é se “estiverem todos mais unidos” e acredita que a juventude começa a olhar o futuro de outra forma e sabendo lidar melhor com a pressão.

“Vamos lidar com a pressão de outra maneira, isto ajudou-nos a acalmar, com menos competição, esta pausa do Covid vai ajudar a olhar para o futuro com mais calma, com mais serenidade”, aponta.

Rita Saias, presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), confirmou que o tempo de confinamento serviu para “pensar e estar”, refletindo sobre temáticas tão importantes para a juventude, como a “liberdade e democracia”, mas olhando para o futuro que há-de ser diferente.

“Ganhar balanço para o tempo que se segue, que será de muito trabalho e retoma à normalidade que vai ser diferente e os jovens vão atravessar inúmeros desafios”, destaca.

Nas “Conversas na Ecclesia” desta segunda-feira, Rita Saias falou ainda do CNJ, plataforma de associações juvenis que este ano celebra 35 anos de existência, e como a pandemia veio “reforçar” a ideia de estarem presentes.

“Temos um trabalho de advocacia política quanto aos termos da juventude, este tempo veio reforçar a ideia de estarmos presentes, de estar com os jovens, foi uma prova de fogo de manter a nossa relevância e trabalho”, afirma.

Olhando para esta geração que considera ter uma “hiper resiliência”, Rita Saias acredita que esta adaptação em tempo de pandemia faz com que esta seja a “geração mais preparada para os desafios que aí vêm”, com as mesmas prioridades mas com o conhecimento de “estar em rede”.

“Adaptámos-nos várias vezes para sobreviver e esta não é diferente, somos a geração que está melhor preparada para os desafios que aí vêm; comunicamos de forma diferente, estamos atentos a causas, somos mais de valores, missão e impacto positivo e isso vai aumentar depois da reflexão neste tempo”, aponta.

Também para o jovem Rui Teixeira, médico reumatologista, a pandemia levou-o ao hospital mais tempo para “ajudar na linha da frente” e o digital passou a orientar a sua vida. 

“Passou tudo ao digital, perdi a conta ao número de reuniões que tive online, mas também missas, terços, debates, reflexões, moderei entrevistas, que descobri que sabia no confinamento, tudo isto no computador”, disse.  

O vice-presidente da Conferência Internacional Católica do Escutismo, no seu primeiro mandato, viu todos os planos a serem cancelados bem como todas as viagens e formações mas o distanciamento social trouxe-lhe outra realidade.

“Tempo para olhar para dentro de nós, um desafio que não há na correria normal e esse exercício também é o mesmo exercício que nos alimenta, que nos dá algum repouso e até nos podemos encontrar com Deus”, precisa. 

Rui Teixeira considera que, “apesar dos tempos difíceis, económicos e sociais” que se vivem e que os jovens estão sempre em risco”, vai haver uma reinvenção da juventude.

“Há uma reinvenção da juventude e da juventude em rede, descobrimos que há outras formas de estar em rede, edificantes, e que podem ajudar muito”, assume.

O jovem médico da diocese de Setúbal apontou ainda o exemplo da Igreja Católica, na quantidade de iniciativas que mostraram que a Igreja “não precisa de estar confinada numa paróquia, ou determinado grupo de jovens local” mas que se abriram horizontes da presença e uma “oportunidade para rever hábitos”. 

O projeto “Conversas na Ecclesia” tem o objetivo de partilhar, de segunda a sexta-feira, um tempo de diálogo sobre cinco temas, publicados nas redes sociais, a partir das 17h00.

A semana começa com temas direcionados para jovens, depois a solidariedade e o cuidado da casa comum, as novas formas de liturgia e de pertença, os acontecimentos vividos a partir do Vaticano e, a terminar a semana, uma conversa com propostas e perspetivas culturais.

SN

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