Três irmãos, Diogo, Inês e Miguel Correia, falam do tempo de confinamento em que viveram em casas separadas e anseiam o “momento emotivo” do reencontro

Lisboa, 18 mai 2020 (Ecclesia) – Os três irmãos, Diogo, Inês e Miguel Correia, viveram o tempo de confinamento separados, em casa de tios diferentes, querem “dar mais valor aos momentos em família” e anseiam o “momento emotivo” do reencontro.

“Vai ser um momento muito emotivo, não estamos habituados a estar tanto tempo longe uns dos outros e a nossa vida em família depois disto vai ser diferente, as rotinas vão mudar; os momentos em família vão ser mais bem aproveitados porque temos reparado a falta que esses momentos nos fazem agora que estamos separados”, afirma o irmão mais velho, Diogo, em declarações à ECCLESIA.

Os três irmãos universitários viveram o tempo de confinamento, separados, em casa de tios diferentes, uma vez que a mãe, que é enfermeira “precisava de continuar a trabalhar”. 

“Eu sabia que a mãe não ia parar de trabalhar e continuando no hospital, está exposta e sabia que esta seria uma possibilidade, a maior confusão que me fez foi a minha mãe ficar sozinha”, confessa o jovem estudante de Marketing Digital.

A decisão da mãe, Alexandra Pinheiro, fez com que Miguel fosse para casa de uns tios em Lisboa e os outros dois irmãos para casas de dois tios diferentes, no Porto, de onde é natural a família, por isso as chamadas online “acabaram por diminuir a distância”. 

“Se calhar agora fazemos mais perguntas do que se estivéssemos em casa, tentamos colmatar a falha da nossa presença com pequenas coisas mas que acabam por ser muito grandes”, aponta Inês. 

Já Miguel, estudante de Ciências da Comunicação, aproveita para “conhecer melhor os tios de Lisboa com quem não está tantas vezes”, afirma que sentia “as coisas como garantidas” e agora dá “valor ao que faz falta”, como a presença dos irmãos.

“Num dia normal passava por eles em casa e até podia dizer ‘deixem-me’ e agora até sinto falta de ouvir um comentário deles”, explica o jovem de 18 anos.

A irmã, estudante de Direito, sente “que tem muita sorte por poder continuar a estudar, com todos os meios necessários” apesar deste tempo novo trazer muitas exigências ao ensino, tornou-se “um desafio muito grande”.

Os dois irmãos, Inês e Miguel, são membros do Centro Reflexão e Encontro Universitário (CREU), no Porto, ligado aos Jesuítas, esta pertença tem também feito a diferença em tempo de confinamento, seja nas “reuniões online” e de “muita reflexão”.   

“Tem sido tempo de muita reflexão e pensar muito o porquê de estar a acontecer, perceber como ver o lado positivo de toda a situação, ver a parte positiva, uns tios fantásticos que me abriram a porta e pegar nos pontos positivos”, refere a Inês.

Olhando o tempo de desconfinamento, têm vontade voltar às rotinas, “sem muitas expetativas” mas com a certeza de se “maravilharem com as coisas simples da vida”.

“Temos de voltar ao normal mas não podemos querer tudo para agora, além de nos maravilharmos com as coisas simples da vida, aprendemos a esforçarmos-nos em qualquer altura, dar mais de nós, não sabemos o dia de amanhã, não sei se vou ficar fechado em casa”, destaca Miguel.

Também Inês confessa que sente que as pessoas “vão dar mais valor” ao que não tiveram em tempo de confinamento. 

“Estar com a família, ir a casa dos avós, cumprimentar alguém na rua vai ser diferente; eu nem sou de dar abraços mas depois disto sinto que vou dar muitos abraços a quem não estive neste tempo”, conclui.

O projeto “Conversas na Ecclesia” tem objetivo de partilhar, de segunda a sexta-feira, um tempo de diálogo sobre cinco temas, publicados nas redes sociais, a partir das 17h00.

A semana começa com temas direcionados para jovens, depois a solidariedade e o cuidado da casa comum, as novas formas de liturgia e de pertença, os acontecimentos vividos a partir do Vaticano e, a terminar a semana, uma conversa com propostas e perspetivas culturais.

SN

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