Suspensão e regresso das celebrações comunitárias foi tema em destaque

Lisboa, 30 abr 2020 (Ecclesia) – A segunda edição das “Conversas na ECCLESIA” dedicada à semana do Papa abordou a capacidade de reinvenção e adequação manifestada pela Igreja Católica face à pandemia de Covid-19.

Eunice Lourenço, jornalista da Rádio Renascença, sublinhou que, sob a liderança de Francisco, as comunidades católicas souberam “identificar um tempo excecional”, inspirando até setores fora da Igreja.

A conversa abordou as citações de intervenções recentes do Papa, nos discursos do presidente da República e do presidente do Parlamento, durante a cerimónia evocativa do 25 de Abril, sublinhando a atenção do pontífice às pessoas mais desfavorecidas e à necessidade de solidariedade, na União Europeia.

A bênção ‘Urbi et Orbi’ extraordinária de 27 de março, em que Francisco esteve sozinho na Praça de São Pedro, foi apresentada como o exemplo de uma celebração “que não precisou de ter muita gente para ter grande impacto”.

Ricardo Perna, jornalista da ‘Família Cristã’, destaca esta “capacidade de se reinventar”, num tempo de exceção, em que o Papa tem dado um “exemplo muito grande” na prioridade dada à vida humana.

Questionados sobre a eventualidade de o regresso às celebrações comunitárias das Missas poder ser um foco de conflito com o Governo, em Portugal, os entrevistados dizem acreditar que a situação será “dialogada” entre as várias instituições.

Eunice Lourenço recorda que a Igreja se “antecipou” às medidas do estado de emergência, “por amor aos fiéis, porque o que está aqui em causa é a vida de todos”, prevendo “cautela e bom senso” no pós-confinamento.

“O principal desafio é como definir quem é que pode ir”, admite, face à projetada limitação da lotação das igrejas.

Ricardo Perna entende, por sua vez, que “será preferível retardar o início das celebrações comunitárias” para evitar retrocessos, dada a confiança que a Igreja Católica soube angariar neste contexto.

“A Igreja precisa dos fiéis para sobreviver”, mas soube abdicar das celebrações comunitárias, observa o jornalista, considerando que a “atuação” do Papa neste contexto foi exemplar e ajudou as comunidades católicas a ir “ao encontro dos outros”, de novas formas.

De segunda a sexta-feira, as “Conversas na Ecclesia” são publicadas nas redes sociais da ECCLESIA depois das 17h00; a semana começa com temas direcionados para jovens, depois a solidariedade e o cuidado da casa comum, as novas formas de liturgia e de pertença, os acontecimentos vividos a partir do Vaticano e, a terminar a semana, uma conversa com propostas e perspetivas culturais.

OC/PR

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