Missionário Redentorista reconhece o desgaste provocado pelos confinamentos e aponta a necessidade de um tempo de revisão de vida

Porto, 19 jul 2021 (Ecclesia) – O padre Rui Santiago, Missionário Redentorista, disse à Agência ECCLESIA que, neste tempo de pandemia, se chega às férias muito desgastado e “culturalmente” mais virados para a “alienação”.

“O que mais pressinto, e que vou bebendo das pessoas com quem me dou, é que estamos desgastados, fartos, estávamos habituados a estar cansados mas isto é outra coisa, há um desnorte sobretudo porque nos damos mal com o que temos diante de nós e não vemos o fim”, afirmou o sacerdote. 

O padre Rui Santiago vai notando que “as pessoas sentem saudades de algumas rotinas” e também na sua vida de missionário, no último ano e meio, sentiu que ficou com a “vida transfigurada”.

“Eu próprio tinha uma vida mais previsível e a vida ficou tão transfigurada que este tempo de paragem, de férias, não é o mesmo porque, abruptamente, tivemos paragens forçadas e anti naturais”, reforça.

Em tempo de pandemia o sacerdote, atualmente a viver na comunidade do Porto, foi sentindo mais “irritabilidade à flor da pele” depois do segundo confinamento e deseja que as férias possam ajudar a repensar. 

“Depois do segundo confinamento vou sentindo uma irritabilidade à flor da pele, estamos muito diferentes, o tempo de férias que nos ajude a todos, mas víamos como um tempo de estar juntos, em família, mas infelizmente há famílias que estão fartas de estar juntas porque têm dinâmicas internas que não estão bem oleadas e não correu muito bem”, aponta. 

Ao olhar o tempo de férias como oportunidade de revisão, o padre Rui Santiago considera que “culturalmente” os portugueses estão mais virados para a “alienação” em vez de fazer uma “experiência de imersão”. 

Nestas férias em vez de fazer um percurso de envolvimento, uma experiência de imersão,  passamos pelo entretenimento e houve transformações nos confinamentos mas não de reflexão, suscitado pelas circunstâncias; isso vi em muitas relações, em que foram obrigados a parar e não disfarçar mais e vem à tona algo que estava lá há muito tempo”.

O missionário redentorista alerta que, em tempo de confinamento, muitos foram “forçados pelos colarinhos” a olhar de frente o que existe há muito tempo e surgiu “muita doença interior”, “muitos assuntos para resolver”.  

“Conheço casos em que isso deu azo a transformações muito bonitas e outros em que deu tristezas muito profundas”, conta.

As ‘Conversas na ECCLESIA’ desta semana trazem um olhar novo, e alguns desafios, para o tempo de férias com o padre Rui Santiago, Missionário Redentorista, todos os dias às 17h00 online e pelas 22h45 na Antena 1 da rádio pública.

SN

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