Comunidade católica existe há mais de 30 anos e a catequese é a base dos encontros

 Lisboa, 10 jun 2021 (Ecclesia) – A Irmã Isabel Rodrigues, Serva de Nossa Senhora de Fátima, faz parte da equipa responsável da comunidade de Língua Portuguesa de Saint-Gilles, na Bélgica, onde as “famílias encontram lugar de apoio” e a catequese é a base dos encontros.

“Este vai e vem é sinal de uma vida que é real, as famílias que chegam encontram lugar de apoio e é a sua casa, a Igreja é a casa de todos, não é teórica a ideia da Igreja universal, nós aqui vivemos isso”, explica a irmã Isabel Rodrigues em declarações à Agência ECCLESIA. 

A comunidade existe há mais de 30 anos, na zona de Bruxelas, sendo uma “comunidade autónoma que se equipara a uma paróquia”, com portugueses que chegaram no início e outros recém chegados.

“O grupo de catequistas é sinal disso, temos uma catequista que está desde o início da comunidade e temos agora recém chegados, temos crianças de pais que vieram agora e temos crianças de pais que já fizeram catequese connosco”, recorda a consagrada.

Carla Carvalho emigrou em 2014 e, quando decidiu casar e “procurar o curso de noivos”, encontrou a irmã Isabel e a comunidade de Língua Portuguesa.

“A partir do momento que quis casar e tinha de fazer o curso de noivos que me cruzei com a irmã Isabel e com a comunidade e, desde aí que tudo cresceu, tenho aqui as minhas responsabilidades, mas também usufruo disso, desde que entrei para o grupo de catequistas que ganhei uma rede de apoio”, reconhece.

A catequista, que aproveitou o tempo de pandemia para fazer formação online com uma diocese portuguesa, entende que é necessária uma “adaptação à catequese dita tradicional, uma vez que não se adequa à realidade dos pais emigrantes”.

“A catequese é onde os pais acabam por encontrar na comunidade a família, muitos têm família também aqui emigrada, acabam por fazer novos amigos, o que é muito importante para estes que acabam de chegar, a catequese tem sido um ponto de contacto de abrirem o leque de pessoas que conhecem e terem um ponto de recurso quando não sabem algo”, aponta.

Em tempo de pandemia surgiram as limitações de encontros presenciais e Carla Carvalho explica que muitos encontros online foram importantes para falar de saudade.

“Estávamos num encontro de pais a conversar, e, de repente, tínhamos de dar tempo para que cada um diga o que vai na alma e no coração, fale da sua saudade ou dor, porque há casos de pessoas que têm familiares de mais idade em Portugal e não puderem ver ou estar com eles”, explica.

Também a irmã Isabel Rodrigues enaltece o espaço da Igreja onde ainda foi sendo possível “as pessoas se verem”.

“A Igreja é um espaço onde nos fomos vendo, e rezando juntos e há pessoas e famílias que perderam familiares próximos e não puderam estar, houve um acompanhamento, rezar com elas neste sentido de família e comunidade que somos”, assume.

As ‘Conversas na Ecclesia’, no contexto das celebrações do 10 de junho, vão ao encontro das comunidades católicas de Língua Portuguesa, em diferentes países, percebendo as várias realidades e os efeitos da pandemia, de segunda a sexta-feira, às 17h00 no portal da Agência ECCLESIA e às 22h45, na Antena 1 da rádio pública.

SN

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