Profissional acompanha duas escolas do Porto e aponta «grandes diferenças», depois do segundo confinamento

Porto, 17 jun 2021 (Ecclesia) – Ana Fernandes, psicóloga em duas escolas na cidade do Porto, contou à Agência ECCLESIA que “há grandes diferenças” entre o primeiro e segundo confinamentos, por causa da pandemia, visíveis nos pedidos de ajuda aos gabinetes de psicologia nas escolas.

“Nunca tivemos tantas sinalizações como este ano, sobretudo depois deste segundo confinamento, todos os dias caem sinalizações nos serviços de psicologia das escolas, está a ser mto desafiante para nós, psicólogos, atender a tantos pedidos de professores e pais”, refere a entrevistada. 

A psicóloga acompanha o Agrupamento de Escolas Garcia de Orta e a Escola Filipa de Vilhena, na cidade do Porto, desde o pré-escolar ao 12.º ano, e refere que “todos estão diferentes”.

Todas as crianças tiveram consequências da pandemia e confinamentos respetivos, a ansiedade é um dos sintomas que se verifica muito, crianças com tristeza maior do que seria normal, alterações do sono e apetite, irritabilidade, mesmo alguns sinais de agressividade sobretudo depois deste segundo confinamento”. 

“Depois de um período de stress prolongado” Ana Fernandes descreve que “há crianças que não apresentam sintomas” mas há outras que “não conseguem ainda ir à escola”, e algumas que vão é necessário “chamar o INEM porque têm ataques de pânico”.

A faixa etária dos adolescentes, entre o 7.º e 9.º ano de escolaridade, é a que mais preocupa a psicóloga portuense. 

“É a faixa que noto mais consequências mais graves, mas falamos mesmo de questões de ansiedade, comportamentos obsessivos, depressão, auto mutilação e de ação suicida, nos casos mais graves”, aponta.

Ana Fernandes conta ainda que “não está a ser fácil” para a comunidade educativa, onde “os professores não tiveram tempo para descansar” e destaca que a pandemia passou para todos, “todos estão mais desgastados e isso nota-se muito nos professores”.

Para o tempo de férias que se aproxima a psicóloga deseja que se possa “voltar ao convívio social, recuperar o sono e tranquilidade” sempre “com bom senso” e olhando os números do contexto geral do país.

As «Conversas na Ecclesia» desta semana têm o mote do final de ano letivo, vão percebendo as várias realidades e os efeitos da pandemia, de segunda a sexta-feira, às 17h00 no site ECCLESIA e às 22h45 no programa de rádio da Antena 1.

SN

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