Liliana Crispim, filha dos proprietários, lançou a ideia porque entende que são «vidas tão ricas que era pouco terem só o 6.º ano»

Fátima, 14 mai 2021 (Ecclesia) – Liliana Crispim, filha dos proprietários de um restaurante em Fátima, contou à Agência ECCLESIA que o tempo de pandemia e consequente fecho do estabelecimento, foi a “altura certa” para unir patrões e funcionários em tempo de formação. 

“Achei que era a altura certa, aproveitando a quebra de trabalho, quando estivemos os fins de semana fechados, e, desde novembro que têm estado a tirar a formação para tirar o 9º ano, o nível básico”, conta Liliana Crispim à Agência ECCLESIA.

A entrevistada, da área de comunicação e depois ter trabalhado em formação, recorda que, no início, os pais acharam ser uma ideia dela mas com o tempo começaram a gostar. 

Foto: AE/HM

“Na altura acharam que era só uma ideia minha, mas depois com o tempo começaram a gostar e a compreender o que estavam a fazer, porque eles têm vidas tão ricas, os meus pais e os funcionários, que eu achava pouco terem só o 6º ano”, assume.

Os pais e proprietários, José e Ana Maria Crispim, consideraram boa ideia e aceitaram.

“Não tínhamos grande atividade para fazer e a minha filha deu esta ideia, acabei a escola muito cedo e andei logo a trabalhar, agora aproveitei para aumentar os conhecimentos”, refere o pai. 

José Crispim referiu mesmo que “andava afastado da área dos computadores” por não ter tempo para aprender e a pandemia foi o momento para “aproveitar e aprender”.

Também a esposa, mãe e avó, Ana Maria recorda que “ficar a casa fechada tanto tempo, nunca aconteceu” e, no início foi muito difícil. 

“Os primeiros dias era difícil, eu estava habituada a chegar ao restaurante, ligar a rádio e por panelas ao lume e nada… tomei o pequeno almoço com o marido, coisa que não dava antes, foi uma vida de doméstica, de mãe e avó, coisa que com a porta aberta não pode ser”, assume Ana Maria.

José Crispim acrescenta ainda que “ver Fátima sem ninguém e ter de fechar de um momento para o outro foi muito difícil” e, depois, “toda a incerteza ainda tornava tudo mais doloroso”.

O desconfinamento trouxe a abertura de portas do restaurante, cumprindo as novas regras, “esperavam que os clientes voltassem” e confessam que “começaram a aparecer com saudades”. 

“É fantástico chegarem e dizerem que tinham saudades nossas, porque o nosso trabalho é também com esse objetivo, porque nós também tínhamos saudades das pessoas e dos rostos, apesar de andarmos todos mascarados, é importante podermos rever as pessoas e voltar aos poucos ao ritmo de trabalho, isto vai melhorar para todos”, deseja Liliana Crispim.

HM/SN 

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