Comunidade das Irmãs Hospitaleiras de Braga já acolheu quatro famílias de refugiados

Braga, 27 set 2021 (Ecclesia) – A irmã Laurinda Faria, da Congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, e Susana Magalhães, colaboradora, fazem parte de uma equipa da comunidade de Braga que acolheu várias famílias de refugiados e disseram à Agência ECCLESIA que tentam ser “facilitadores de sonhos”.

“São pessoas que têm sonhos, que têm projetos de futuro, que nem sempre conseguem realizar, mas, quando vêm para um país estranho e deixam tudo o que viveram até aquele momento, vêm com muita insegurança e muita expectativa, muita fragilidade e então a nossa função é facilitar os sonhos e os projetos de futuro na medida do possível, nem sempre é possível”, conta a irmã Laurinda Faria, nas “Conversas na Ecclesia” de hoje.

A Congregação esteve presente na primeira reunião da PAR (Plataforma de Apoio aos Refugiados), sendo uma “presença ativa” e, em 2016, começaram a ser “instituição acolhedora”.

“Ouvimos dizer que isso ia acontecer e aparecemos logo porque hospitalidade é isso, dentro de portas e fora de portas, não podemos deixar de nos oferecermos”, refere a religiosa.

Susana Magalhães é colaboradora e, desde a primeira hora, se entusiasmou com a ideia do acolhimento, reforçando que ao trabalhar ali, “não é trabalho é uma missão e acaba por partilhar os sonhos”.

A responsável adianta que este acolhimento tem toda a parte prática, “que leva bastante tempo”.

“Há que os tornar legais na comunidade, na escola, na saúde, nas Finanças, traduzir carta de condução, procurar emprego, passa também por arranjar soluções para aprenderem português, todas essas funções muito práticas nós temos que os apoiar porque até eles ficarem autónomos nessas áreas leva bastante tempo logo a partir de um obstáculo enorme que é língua”, assume. 

A religiosa refere que sente as famílias de refugiados, palavra que não gosta de usar, como “membros da família” e recusa que haja “protecionismo”.

“Isto é um processo de integração e de inclusão social que não tem nada de protecionismo, há as pessoas que se lamentam da atenção dada a uns e não a outros, o processo não é protecionista mas existe uma atenção prioritária e toda a família tem este tipo de acompanhamento durante 18 meses e ao fim de 18 meses eles têm de estar em condições de ser autónomos”, justifica.

Desde 2016 que a comunidade de Braga já recebeu quatro famílias, uma delas reside em Braga e, a última que chegou em junho passado, é uma família síria que está a iniciar o processo de integração. 

As «Conversas na ECCLESIA» desta semana trazem a realidade de acolhimento de refugiados e as transformações que implicam, que pode acompanhar online de segunda a sexta-feira, pelas 17h00.

SN

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