Psicóloga Filipa Miranda chama a atenção para solidão dos idosos

Lisboa, 19 nov 2020 (Ecclesia) – A psicóloga Filipa Miranda, da ilha Terceira, nos Açores, disse à Agência ECCLESIA que em tempo de pandemia “toda a gente perdeu alguma coisa” e chama a atenção para a solidão dos idosos.

“Por exemplo os jovens que vão para a universidade, que vão daqui da região autónoma para o continente, com toda a expetativa de irem para fora, foi completamente diferente, ir para fora veio com outro tipo de sentimentos, o medo, a ansiedade, a insegurança, completamente opostos se não houvesse pandemia… ao terminar os cursos e seus rituais habituais, e há certos rituais nesta vida que só podemos passar uma vez, as pessoas ficaram frustradas e revoltadas, há muita revolta porque, seja em que faixa etária for, alguém perdeu alguma coisa”, assinala.

Filipa Miranda aponta ainda as pessoas em fase adulta que “perderam o seu emprego”, outras que não conseguem encontrar emprego porque as entrevistas online “dificultam o encontro” e aponta a solidão por que passam muitos idosos.

“Também os idoso que sentiram pela segunda ou terceira vez na vida a solidão, podem já ter perdido o seu cônjuge, passaram pela perda e sentiram solidão, mas com luto saudável pela rede de apoio familiar, agora na pandemia, há idosos que estão a passar por uma perda e a sentir solidão”, destaca.

A psicóloga coordenadora do grupo de apoio ao luto “Renascer”, na ilha Terceira, Diocese de Angra, esclarece ainda que a “pandemia veio muito informar que existem grupos de risco” e são necessários cuidados, também com a saúde mental. 

“A frustração e o medo que as pessoas sentem, que está na base da ansiedade, de ter de ficar em casa, perderam a liberdade de ir trabalhar ou, se têm de ir, poderão confrontar-se com a realidade, que causa ansiedade e isso é complicado, além de lidar com tudo o que se passa, terem de lidar com sua própria ansiedade”, considera. 

Apesar de todas as ansiedades e receios, a psicóloga admite a adaptação é possível, “basta mudar as rotinas”.

“Conseguimos adaptar, toda a gente perdeu alguma coisa, mas é preciso mudar a nossa rotina, ir buscar instrumentos, algo que antes não fazíamos, o que mais se vê são formações e conferências, ensinamentos através das redes sociais… É possível adaptação, não é fácil nem é logo, mas é possível, e também temos de estar predispostos e abertos a isso e não podemos estagnar e esperar que a pandemia se vá embora, temos de nos reorganizar”, assume. 

A entrevistada, no entanto, aponta ainda que não se pode “esquecer os idosos, que não têm tanta facilidade de se adaptar” e pode ser necessária ajuda. 

No mês de novembro a Agência ECCLESIA apresenta as ‘Conversas do Silêncio’, publicadas online pelas 17h00 e emitidas no programa Ecclesia, na Antena 1 da rádio pública, pelas 22h45, de segunda a sexta-feira.

SN

 

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