Missionário da Boa Nova partilhou a experiência de primeira missão e o choque de «comer com as mãos»

Lisboa, 15 out 2020 (Ecclesia) – O padre António Kusseta, Missionário da Boa Nova, esteve cinco anos em missão na República da Zâmbia e contou à Agência ECCLESIA que lá aprendeu a ser missionário e ultrapassou o choque cultural de “comer com as mãos”. 

“Trouxe de lá muitas marcas, primeiro aprendi a ser missionário, foi a minha primeira missão, um mês depois de ordenação, lembro e conservo até hoje…”, lembra. 

O sacerdote, natural de Angola, foi em 2001 para a Zâmbia, numa atitude de viver o “desafio” e onde recebeu “um choque”.

“Eu fui de Angola, onde temos hábitos diferentes, ma das coisas simples e práticas que me chocou no primeiro dia, que fiquei assustado, foi a cultura de comer com as mãos, eu pensava que comiam com talheres, lá é hábito comer com as mãos, a simplicidade que era e me marcou muito”, afirma. 

Recém ordenado o padre António Kusseta viveu, durante os cinco anos, momentos de visitas pastorais e experiências em pequenas aldeias, onde tinha “três paróquias numa vila” e mais 31 aldeias. 

“As aldeias distavam umas das outras, 5 ou 6 km, por estradas péssimas mas tínhamos pastoral de assistência espiritual e social; nas aldeias era mais ouvir e dar orientação até em termos de vida social e sobretudo vida cristã”, refere. 

Nas visitas pastorais que o missionário fazia, “quase todos os dias”, era necessário a catequização e a formação, mesmo “noções básicas de saneamento”, depois “ler e escrever a língua local”, sentindo sempre o povo cooperante.

“Para nós é um desafio, a nossa presença é reconfortante porque eles admiram como é que um jovem, como eu na altura, deixava tudo e ia para a missão, sobretudo porque tínhamos de nos inculturar; seja a aprender cultura e aprender a língua…”, destaca. 

Depois daquele tempo o padre António regressou a Angola, à província que o viu nascer, a sul de Luanda, para a paróquia da Rainha Santa Isabel.

“Aqui eu percebia a língua e também era conhecido por muita gente mas a missão era difícil porque acabava de chegar da Zâmbia, onde aprendi a simplicidade, e em Angola é diferente, mas o povo ‘amboim’, quer dizer povo acolhedor e de paz, ajudou-me a adaptar a uma nova missão e realidade”, acrescenta.

Numa “paróquia com seis dialetos”, o missionário tentou aprender a língua local mas “tornou-se impossível pela variedade de dialetos na mesma paróquia, mas nunca desistiu de ir e estar nas aldeias.

“Ilhamos às aldeias e, de vez em quando ficava dois ou três dias, a conversar e a ouvir, tive a experiência de ouvir as preocupações de uma autoridade tradicional, o que pensa da Igreja e saber que conselhos quer dar aos cristãos através do padre, uma experiência muito enriquecedora”, recorda.

Quando se fala de missão o padre António Kusseta fala de emoção e “realização pessoal” mas aponta alguns recados para o futuro da missão. 

“Lanço um apelo aos pais, para não impedirem os filhos de entrar ou ir a um seminário ou casa de formação religiosa, escutem os filhos e ajudem a crescer na vocação missionária; depois que os jovens não tenham medo e que experimentem a vida missionária porque no fim de tudo hão de ser felizes; já aos formadores digo para não atrapalharem a vocação dos que estão a começar, é preciso persistência e mudança, entrega de coração”, remata.

No mês de outubro missionário, assim designado pela Igreja Católica, a Agência ECCLESIA apresenta as «Conversas Além-fronteiras», que trazem a missão desenvolvida em diferentes pontos do mundo; serão transmitidas e publicadas online, às 17h00, e no programa Ecclesia, na rádio Antena 1, pelas 22h45.

SN

 

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