D. José Tolentino Mendonça é o segundo cardeal a receber anel e barrete, na cerimónia

Cidade do Vaticano, 03 out (Ecclesia) – O arcebispo português D. José Tolentino Mendonça vai ser o segundo cardeal a receber o anel e barrete, das mãos do Papa, durante o sexto consistório público para a criação de cardeais no pontificado de Francisco, este sábado, pelas 16h00 (menos uma em Lisboa), na Basílica de São Pedro.

O guião oficial divulgado pelo Vaticano explica que celebração começa com um momento de oração em silêncio, do Papa, diante do altar da Confissão, sobre o túmulo do apóstolo São Pedro, seguindo-se a saudação do primeiro dos novos cardeais, Miguel Angel Ayuso Guixot, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso (Santa Sé), antes de uma oração proferida por Francisco, a leitura do Evangelho e a homilia.

Após esta intervenção, o Papa lê a fórmula de criação e proclama em latim os nomes dos cardeais, para os unir com “um vínculo mais estreito” à sua missão; segue-se a profissão de fé e o juramento dos novos cardeais, de fidelidade e obediência ao Papa e seus sucessores.

Juramento dos novos cardeais

“Eu (…), Cardeal da Santa Igreja Romana, prometo e juro ser fiel, desde agora e para sempre, enquanto viva, a Cristo e ao seu Evangelho, sendo constantemente obediente à Santa Igreja Apostólica Romana, ao bem-aventurado Pedro na pessoa do Sumo Pontífice Francisco e dos seus sucessores canonicamente eleitos; manter sempre com palavras e obras a comunhão com a Igreja Católica; não revelar a ninguém o que me for confiado em segredo nem divulgar aquilo que poderá acarretar dano ou desonra à Santa Igreja; desempenhar com grande diligência e fidelidade as tarefas para as quais estou chamado no meu serviço à Igreja, segundo as normas do Direito. Que assim me ajude Deus omnipotente”.

 

Fórmula de criação dos novos cardeais

“Irmãos caríssimos, preparamo-nos para cumprir um ato grato e grave do nosso sagrado ministério. Ele diz respeito em primeiro lugar à cidade de Roma, mas interessa a toda a comunidade eclesial. Vamos chamar a fazer parte do colégio dos cardeais alguns dos nossos irmãos, para que sejam unidos à Sé de Pedro com um vínculo mais estreito. Eles, marcados pela púrpura sagrada, deverão ser intrépidas testemunhas de Cristo e do seu Evangelho na cidade de Roma e nas regiões mais longínquas. Por isso, com a autoridade de Deus omnipotente, dos santos apóstolos Pedro e Paulo e a nossa, criamos e proclamamos solenemente cardeais da Santa Igreja Romana estes nossos irmãos”.

Cada um dos novos cardeais ajoelha-se, depois, para receber o barrete cardinalício, de acordo com a ordem de criação.

Imposição do barrete cardinalício

“Para a maior glória de Deus omnipotente e o bem da Santa Sé, recebei este barrete púrpura como sinal da dignidade cardinalícia, simbolizando que deveis estar prontos a comporta-vos com coragem, até à efusão do sangue, pelo incremento da fé cristã, da paz e do bem do povo cristão, e pela liberdade e a expansão da Santa Igreja Romana”.

Francisco entrega ainda um anel aos cardeais para que se “reforce o amor pela Igreja”, seguindo-se a atribuição a cada cardeal uma igreja de Roma – que simboliza a “participação na solicitude pastoral do Papa” na cidade -, bem como a entrega da bula de criação cardinalícia, momento selado por um abraço de paz.

Cada cardeal é inserido na respetiva ordem (episcopal, presbiteral ou diaconal), uma tradição que remonta aos tempos das primeiras comunidades cristãs de Roma, em que os cardeais eram bispos das igrejas criadas à volta da cidade (suburbicárias) ou representavam os párocos e os diáconos das igrejas locais.

Os 10 novos cardeais eleitores (por ordem de anúncio pontifício, a 1 de setembro) são Miguel Angel Ayuso Guixot, mccj – presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso (Santa Sé); José Tolentino Medonça – arquivista e bibliotecário da Santa Sé; Ignatius Suharyo Hardjoatmodjo – arcebispo de Jacarta, Indonésia; Juan de la Caridad García Rodríguez – arcebispo de Havana, Cuba; Fridolin Ambongo Besungu, o.f.m. cap – arcebispo de Kinshasa, República Democrática do Congo; Jean-Claude Höllerich, sj – arcebispo do Luxemburgo; Alvaro L. Ramazzini Imeri – bispo de Huehuetenamgo, Guatemala; Matteo Zuppi – arcebispo de Bolonha, Itália; Cristóbal López Romero, sdb – arcebispo de Rabat, Marrocos; Michael Czerny, sj – subsecretário da secção ‘Migrantes’ do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral (Santa Sé)

O Papa vai ainda criar três cardeais com mais de 80 anos: Michael Louis Fitzgerald – presidente emérito do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso; Sigitas Tamkevicius, sj – arcebispo emérito de Kaunas, Lituânia; Eugenio Dal Corso, psdp – bispo emérito de Benguela, Angola.

No dia seguinte ao consistório público (reunião de cardeais) vai decorrer uma celebração eucarística na Basílica de São Pedro, para a abertura solene da assembleia especial do Sínodo dos Bispos sobre a Amazónia.

OC

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