Iniciativa de carácter internacional reaviva memória histórica no Centenário da República

Perceber o papel das Ordens Religiosas, no nosso país e no mundo, nas suas mais diversas perspectivas, ângulos ou metamorfoses, é o principal objectivo do Congresso Internacional das Ordens e Congregações Religiosas em Portugal: Memória, Presença e Diásporas, que se realiza entre 2 e 5 de Novembro.

O evento, que se realiza na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, vai contar com cerca de 200 conferencistas, vindos dos mais diversos países do mundo, e ainda com a participação de mais de 500 pessoas.

Destaque para a presença de diversas figuras nacionais e institucionais, entre as quais D. José Policarpo, Cardeal-Patriarca de Lisboa; Mário Soares, antigo presidente da República Portuguesa, e Guilherme d’Oliveira Martins, presidente do Tribunal de Contas.

De acordo com o coordenador geral do evento, José Eduardo Franco, a grande novidade prende-se com o facto deste ser o primeiro evento internacional do género em que se terá a oportunidade de “discutir a realidade das ordens numa perspectiva multinacional, elas que são, no fundo, as precursoras da globalização moderna”.

O historiador começa por explicar que “a realidade das ordens religiosas em Portugal só pode ser percebida na sua articulação com a presença dessas mesmas ordens nos países onde estão implantadas”.

José Eduardo Franco realça ainda que “esta tradição multinacional das ordens religiosas, desde a Idade Média, é a razão pela qual elas sobreviveram ao longo dos tempos, em Portugal e no mundo, apesar dos ataques fortes que sempre existiram”.

Ao longo de quatro dias, serão muitos os investigadores estrangeiros que procurarão “relevar e enquadrar esta realidade portuguesa numa universalidade mais vasta”.

No Congresso, “nada vai ser omitido, nem sequer os momentos mais polémicos da História das Ordens”, garante o coordenador geral, para quem não se pode descurar o papel relevante que as diversas congregações tiveram e continuam a ter na História do nosso país.

“Por vezes, a sua acção é pouco conhecida, mas há que em conta que elas estão por trás de muitas instituições de solidariedade, estando presentes na educação, na saúde, dinamizando as missões, em variadíssimos níveis da sociedade”, aponta o mesmo responsável.

São muitas as mais-valias presentes nos passos deixados pelas Ordens Religiosas, ao longo dos tempos, e que vão ser tidas em conta neste debate alargado.

A importância das congregações na construção e preservação do património colectivo português, o contributo para a economia, a literatura, nos campos da música e das artes, serão outras temáticas em destaque.

Ao contrário de encontros anteriores, a discussão vai ser colectiva, em vez de privilegiar apenas esta ou aquela Ordem Religiosa.

Esta é, na opinião do historiador, a segunda grande novidade do evento, por se tratar de uma oportunidade única para aprofundar relações entre as diversas congregações portuguesas.

[[v,d,1569,Apresentação do Congresso Internacional por José Eduardo Franco]]“As ordens religiosas, dentro da Igreja, constituem famílias, com ideais próprios, com lideranças autónomas, onde por vezes funcionam sem se conhecerem umas às outras. Esta é a oportunidade para um verdadeiro ecumenismo” conclui José Eduardo Franco.

Da organização fazem parte o CLEPUL, Centro de Literaturas e culturas lusófonas europeias da Universidade de Lisboa, em parceria com o Centro de História da Universidade de Lisboa, a Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal, o Centro de Estudos em Ciência das Religiões da Universidade Lusófona, o Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes e a CompaRes, Associação Internacional de Estudos Ibero-Eslavos.

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