Em dia de Celebração do 1º de Maio, Dia do Trabalhador, é importante recordar a luta dos trabalhadores de Chicago que em 1886 saíram para a rua, reivindicando uma jornada de trabalho de 8 horas diárias. 125 anos depois, a celebração deste dia continua a fazer todo o sentido, sobretudo e especialmente por todos aqueles que são vítimas do desemprego ou suportam condições de trabalho que impossibilitam uma vida digna.

Este ano, as comemorações do 1º de Maio são marcadas pela crise económica mundial. Crise causada pela ganância de alguns, pela injustiça e pela falta de humanidade imposta pelas  regras do sistema económico. Uma crise que é suportada sobretudo pelos trabalhadores e afecta os mais vulneráveis nomeadamente as mulheres, os jovens e os emigrantes.

Os dados falam por si só: 620 mil portugueses em situação de desemprego e uma taxa de desemprego jovem (abaixo dos 25 anos) situada nos 23,0 % (dados do INE relativos ao ultimo trimestre de 2010); taxas de trabalho precário que não param de aumentar – segundo o Eurostat Portugal é o terceiro país da União Europeia com mais trabalhadores contratados a prazo.

Estes níveis de desemprego e precariedade têm uma influência directa na vida dos trabalhadores e suas famílias. Paralelamente assistimos a um corte acentuado na atribuição dos apoios sociais – abono de família, subsídio de desemprego, rendimento social de inserção, bolsas de estudo, etc. – onde muitas vezes a ausência de uma política de fiscalização eficaz conduz a grandes situações de injustiça. No ensino superior por exemplo, têm sido flagrantes estas situações, o que está a fazer com que muitos jovens ponderem abandonar os seus estudos, por não lhes terem sido atribuídas bolsas.

Perante esta realidade dura e difícil, que é preciso denunciar, é necessário também apresentar uma mensagem de esperança, reforçada este ano pela comemoração do 30º aniversário da publicação da Encíclica Laborem Exercens sobre o Trabalho Humano. Queremos pois, defender o respeito pela dignidade de todos os homens, criados à imagem de Deus, e proclamar a revalorização contínua do trabalho humano – o trabalhador é um ser digno e, como tal, o trabalho não pode ser subordinado às vantagens económicas, sem antes respeitar a dignidade do homem, sujeito do trabalho (L.E.).

O 1º de Maio é um dia de Festa para reivindicar a centralidade do trabalho na vida das pessoas e a defesa indiscutível da dignidade humana.

A situação actual deve abrir-nos os olhos e o coração para a necessidade de operarmos transformações na nossa sociedade e na forma de entender e organizar a economia, acreditando que outro mundo é possível. É necessário sermos agentes de mudança…

“TUDO COMEÇA POR TI
HOJE, AGORA E AQUI”

Juventude Operária Católica

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