Coimbra: «Quando todos voltarem para as suas casas, haverá muitos problemas», afirma o presidente da Cáritas Diocesana, preocupado com populações na fase pós-cheias

Manuel Antunes lembra que a instituição tem dois armazéns cheios com alimentos e roupas para distribuir por quem precisar

Foto Miguel A. Lopes/Lusa, Cheias na região de Montemor-o-Velho

Coimbra, 13 fev 2026 (Ecclesia) – A Cáritas Diocesana de Coimbra mostrou-se preocupada com o período posterior às cheias que têm afetado a cidade, alertando para as dificuldades que as populações vão enfrentar quando regressarem a casa.

“O pior, para esse tipo de populações, ainda está para vir, porque neste momento têm teto, um sítio onde não chove, estão seguros, estão aquecidos, e portanto estão relativamente confortáveis. Quando voltarem para as suas casas, haverá muitos problemas”, afirmou Manuel Antunes, em declarações à Agência ECCLESIA.

Coimbra está em alerta máximo devido ao risco de cheia do Mondego, mas os dados mais recentes permitem encarar as próximas horas com prudente otimismo, informa o município.

Quando as pessoas afetadas pelo mau tempo regressaram às residências e encontrarem o que lá estava danificado, nomeadamente no interior dos frigoríficos e as roupas, o responsável refere que a Cáritas vai ter “um papel importante”.

“Porque nós estamos a recolher muitas dádivas e muitas coisas, temos aqui dois armazéns cheios, por exemplo, de alimentos e de roupas que depois teremos que distribuir”, indicou.

O município procedeu, durante a noite de quinta-feira, à retirada preventiva de pessoas acamadas e sem-abrigo em zonas potencialmente em risco.

“Nesse serviço nós não estamos na linha da frente, foi a Proteção Civil que resolveu isso, estão aqui três ou quatro escolas, mesmo da cidade de Coimbra, que foram adaptadas para receber essas populações”, adiantou Manuel Antunes.

Ainda assim, o responsável dá conta que a Câmara “entretanto esgotou todo os recursos humanos” que tinha e contactou a instituição para que dois dos seus serviços, os Centros Comunitários de Inserção, participassem “nos turnos de acompanhamento, de apoio durante a noite”.

Manuel Antunes explica que a Cáritas tem vários lares, mas todos eles “estão fora” das zonas de perigo.

No que respeita às nove mil pessoas que a Câmara de Coimbra estava a preparar para retirar, o presidente da Cáritas Diocesana indicou que todas elas já tinham um “destino específico”, que foi organizado pela Câmara, e mais uma vez, pela Proteção Civil.

Na quarta-feira, a margem direita do rio, nos Casais, colapsou e levou ao encerramento da Autoestrada 1; parte do tabuleiro do viaduto da A1 desabou ao final da noite na sequência do rompimento do dique, informa a Lusa.

“Esse arrebentamento do dique só afetou as zonas que estão para lá, entre Coimbra e a Figueira da Foz”, relatou o presidente da instituição, que refere que desde esta quinta-feira à noite houve avisos à população da baixa da cidade, que comporta nove mil habitantes, para a possibilidade de evacuação.

As coisas parecem melhor […] Não vamos ter aquilo que se temia de pior aqui há umas horas ou há um dia”, expressa o presidente da instituição.

A Cáritas Diocesana de Coimbra assume preocupação em poder compor as estruturas físicas que sofreram danos com as tempestades dos últimos dias, de “modo a manter” as “unidades de assistência à população a funcionar”.

“Com a exceção do encerramento das creches em três ou quatro dias, logo a seguir à [tempestade] Kristin pudemos rapidamente retomar as atividades. As atividades que agora nos trazem mais preocupação são as assistências domiciliárias, por exemplo, o apoio domiciliário, porque é muito extenso o território”, relata Manuel Antunes.

O responsável ressalta que “houve pessoas que insistiram em ficar nas suas casas” e a instituição tem tido algumas dificuldades em lá chegar para levar refeições.

“Mas, felizmente, até agora temos conseguido, sem problemas inultrapassáveis”, reforçou.

Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados, comunica a Lusa.

LJ/

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