Carlos João Diogo assume direção da maior Cáritas do país

Foto: Agência ECCLESIA

Coimbra, 17 jul 2021 (Ecclesia) – A Cáritas Diocesana de Coimbra, a maior do país, tem como gestor um leigo católico, Carlos João Diogo, mudança promovida pelo bispo local, em novembro, dado que as funções executivas e de presidência vinham sendo desempenhadas por sacerdotes.

D. Virgílio Antunes disse à Agência ECCLESIA que este momento “vinha sendo preparado há vários anos”, chegando-se à conclusão de que este “setor essencial da vida da Igreja” poderia ser conduzido por outras pessoas.

“Tínhamos, dentro da nossa comunidade, leigos, homens e mulheres com a sabedoria e a experiência de vida, espírito de fé mais que suficientes para realizar esta missão” assinala o bispo de Coimbra, que na última semana assinalou o 10.º aniversário de tomada de posse.

O responsável católico considera que a escolha corresponde também à intenção de “envolver de uma forma diferente, o Povo de Deus na vida da Igreja”.

Carlos João Diogo, diretor-geral da Cáritas Diocesana de Coimbra (CDC), assume que este é “um desafio muito grande”.

“O desafio é tornar a Cáritas mais ágil, mais capaz de responder aos desafios do nosso tempo  em termos organizacionais e de gestão” refere.

O gesto considera a Cáritas “o braço da misericórdia da Diocese de Coimbra” e entende que não há conflito entre uma gestão profissional e o amor ou a misericórdia.

“Pelo contrário, considero que quanto mais a gestão é bem feita, quanto mais as lideranças estão centradas nas pessoas, mais cristã se torna”, precisa.

A CDC emprega atualmente cerca de mil colaboradores e tem 129 respostas sociais.

O orçamento também acompanha a dimensão da instituição, o que para o seu diretor-geral tem pontos fortes e outros mais débeis.

Um dos pontos fortes é que a dimensão nos permite estar em projetos que, se fossemos mais pequenos, não teríamos capacidade para fazer. A dificuldade é que a dimensão pode retirar agilidade e esse é o nosso grande desafio, continuar a ir à procura daqueles que mais precisam de nós”.

Católico, com envolvimento na sua comunidade, o diretor-geral da CDC confessa que esta missão é também desafiante pelo facto de unir a fé à profissão.

“Qualquer pessoa que queira viver a fé na profissão sonha com o dia em que essa dicotomia não aconteça” assinala.

“Esta proposta levou-me a um discernimento quase vocacional”, acrescenta, elogiando a “história feliz” e longa da organização católica de solidariedade e ação humanitária.

A Direção da CDC é presidida por Manuel Antunes, cirurgião.

A reportagem da ECCLESIA em Coimbra vai estar em destaque, este domingo, no programa da Igreja Católica na Antena 1 da rádio pública, pelas 06h00, e na emissão do 70×7, na RTP2, pelas 19h30.

HM/OC

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