D. Virgílio Antunes destaca «criatividade pastoral» na resposta à pandemia

Coimbra, 06 jul 2020 (Ecclesia) – O Jardim do Seminário Maior de Coimbra acolhe a celebração da Eucaristia dominical ao ar livre, desde o regresso das celebrações comunitárias, permitindo aos católicos uma experiência diferente em tempos de pandemia.

O padre Nuno Santos, reitor da instituição, disse à Agência ECCLESIA que o Seminário viu “uma oportunidade de alargar a comunidade”, que é maior e mais ativa, agora, após o confinamento.

O espaço é central na cidade e manteve a ligação com a população através de transmissões online, durante a suspensão das celebrações, entre março e final de maio.

Simbolicamente, destaca o entrevistado, a Missa comunitária recomeçou na solenidade de Pentecostes.

“A Covid, de algum modo, fez o mesmo, obrigou-nos a sair dos espaços fechados, para celebrar em espaços abertos”, indica o padre Nuno Santos.

Bastaria fica um minuto em silêncio, a ouvir os pássaros, e perceberíamos que muita da densidade que celebramos já está aqui presente”.

O projeto procura “integrar todos”, num lugar privilegiado para as famílias, sobretudo com crianças, para as quais são reservadas tarefas próprias.

Além da participação física, muitas pessoas continuam a celebrar em casa, acompanhando online, de várias partes do país.

O padre Nuno Santos fala ainda das obras em curso numa casa com mais de 270 anos: “Queremos que as obras e as atividades não parem nesta casa”.

O Seminário vai ter uma comunidade permanente, de sacerdotes que trabalham na cidade ou deixaram as atividades pastorais, e 40 camas para pessoas que queiram ficar alojadas, além de espaços de pastoral, para acolhimento de iniciativas.

A instituição promoveu a conversa online ‘Zaragatoa. Uma Igreja para além da pandemia’ e um “hospital de campanha espiritual”, um projeto de escuta, resultados da “criatividade pastoral”, num complexo difícil, indica o reitor.

D. Virgílio Antunes, bispo de Coimbra, disse à Agência ECCLESIA que tem havido “muita criatividade pastoral” na diocese, durante este período de crise sanitária.

O distanciamento social e os meses de suspensão de celebrações deixam marcas, mas o responsável católico sublinha que “há uma comunhão da Igreja que vai muitíssimo para além da presença física”.

O vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa aponta a uma Igreja “com coração e braços abertos a todos”, que considera “uma realidade de todos os tempos”.

“Este tempo vai deixar-nos marcas muito negativas, por um lado, porque há medo, todos os constrangimentos, a ausência da presença física nas celebrações comunitárias, a morte de muitos irmãos e irmãs”, muitas vezes “em circunstâncias trágicas, sem o acompanhamento familiar”, admite.

“Felizmente, também há alguns aspetos que temos de aproveitar para a vida da comunidade humana, para se repensar”, também na vida da Igreja, acrescenta.

Para D. Virgílio Antunes, a comunicação social e a difusão da evangelização, da liturgia, nas plataformas digitais, são uma forma “complementar” do encontro físico, dado que a vivência comunitária “exige afetos, diálogo”.

Rita Rebelo e Diogo Proença acompanharam sempre as celebrações online e estão de regresso à Missa no Jardim do Seminário Maior, em Coimbra.

“Voltar foi realmente uma bênção e poder voltar a este espaço, em que estamos todos juntos e com todas as regras de segurança”, assinala Rita Rebelo, que espera que se mantenha esta opção, no pós-pandemia.

Para Diogo Proença, é especial “celebrar o dom da vida e o dom da natureza, em comunhão, e celebrar a Eucaristia de forma especial”.

“A Missa do Seminário de Coimbra chegou a outras pessoas, numa evangelização diferente, nomeadamente através do YouTube”, refere ainda.

LFS/OC

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