D. José Cordeiro presidiu à Eucaristia no início do período dos 40 dias antes da Páscoa

Braga, 19 fev 2026 (Ecclesia) – O arcebispo de Braga lembrou, esta Quarta-Feira de Cinzas, na catedral da cidade, que a Quaresma é um período que exorta à pausa, contrastando com a aceleração do quotidiano, e, ao mesmo tempo, um convite a expandir o coração a todos.
“É tempo para parar, para diminuir o ritmo, tantas vezes frenético, em que vivemos no dia-a-dia. É tempo para redescobrirmos aquilo que é essencial à vida, deixando de lado o que é supérfluo. É tempo de alargar o coração a todos, especialmente aos que mais sofrem as consequências da violência do poder e das forças da natureza”, afirmou D. José Cordeiro, após a passagem de sucessivas tempestades por Portugal.
Na homilia, partilhada no site da Arquidiocese, o arcebispo de Braga evoca a Quaresma, que se iniciou esta quarta-feira, como um “tempo de graça e de misericórdia” que é oferecido para que todos tomem consciência daquilo que são chamados a ser.
D. José Cordeiro alertou ainda que este período não deve ser encarado como “melhorismo pessoal”, sobretudo se isso significar que quando alguém consegue atingir alguns dos objetivos a que se propôs, achar que tem algum mérito diante dos outros, ou até diante de Deus.
“Quaresma não é um tempo para alcançar uma suposta perfeição, que não se consegue atingir, nem sequer nos é pedida por Deus”, sublinhou.
Segundo o arcebispo de Braga, o período que antecede a ressurreição de Jesus é “é um caminho pelo deserto do silêncio habitado, é uma passagem para chegar ao jardim da Páscoa”, que este ano se celebra a 5 de abril.
“Porque esse foi o caminho escolhido pelo nosso Mestre e Senhor: o caminho do esvaziamento de si mesmo, da humildade que nos conduz a Deus, recusando aquilo que tantas vezes nos é proposto: a via da fama, do poder, do êxito a todo o custo”, justificou.
Na homilia, D. José Cordeiro enumerou os “três exercícios espirituais fundamentais deste tempo e de toda a vida cristã, tanto ao nível pessoal como social: esmola, oração e jejum”.
Falando sobre a primeira prática, o arcebispo assinalou que partilhar aquilo que faz falta, ajuda a purificar do ídolo da riqueza, de cada um achar que é autossuficiente, que não precisa de nada nem de ninguém, sobretudo que não precisa de Deus.
Relativamente à oração, o arcebispo recordou-a como uma forma de abrir espaço no coração para que Deus se cumpra em cada um: “Orar é mais do que dizer palavras; é acolher Deus que se oferece a cada um de nós; é silenciar o nosso eu egoísta, para que o nosso coração se torne uma autêntica casa de hospitalidade do amor de Deus, para servir”.
No último vértice da tríade, D, José Cordeiro ressaltou que o jejum não serve como castigo, mas como aprendizagem a valorizar e a não desperdiçar os alimentos, bem como “fazer de cada refeição um louvor a Deus”.
“As práticas do jejum, esmola e oração estão intimamente ligadas umas às outras, e devem ser vividas em simultâneo”, enfatizou.
No final da homilia, o arcebispo destacou que a Quaresma é, então, o tempo para que o “sim” que foi dado “no Advento/Natal não morra”.
“Ou seja, é tempo para ser ‘ativo e criativo’ para levar Jesus a todos e todos a Jesus, e por isso, repetindo a nossa Mensagem para a Quaresma, reproponho algumas ações pessoais e comunitárias concretas: o jejum dos ecrãs, do ruído que insulta, da agressividade; orar 5 minutos reais por dia; e ter um gesto concreto de partilha com uma pessoa ou uma causa”, sugeriu.
Relativamente à cinza, D. José Cordeiro indicou que “ela é também usada como fertilizante dos campos, estando associada a um renovar da vida, à conversão”.
“A cinza tem para nós um sentido simbólico de morte, de fim, de extinção. Num sentido mais alargado, simboliza também humildade e penitência”, explicou.
“A Quaresma inicia-se no inverno e conclui-se na primavera. O desejo da conversão pessoal, pastoral e missionária é já caminho de Páscoa. Que a boa prática do Lausperene ou adoração eucarística, tão singular em Braga, nos renove na criatividade e na audácia batismal-pascal”, concluiu.
LJ/OC
