João Costa, Diocese do Algarve

Foto: Samuel Mendonça

A chegada dos símbolos ao nosso País e particularmente à diocese do Algarve é efetivamente a transição de uma realidade que até agora apenas tínhamos acompanhado virtualmente através das redes sociais, para uma presença viva destes ícones na nossa vida e na nossa história.

A travessia dos símbolos no rio Guadiana que consumou a entrada dos símbolos em terras portuguesas recordou-me os descobrimentos, e talvez seja esta a oportunidade histórica, de nós, igreja portuguesa e algarvia realizarmos não uns novos descobrimentos, mas um redescobrimento. Um redescobrimento do outro e do mundo que não se preocupe com “ouro nem especiarias”, mas faça o percurso inverso de entregar o tesouro da nossa vida que é Jesus àqueles que muitas vezes trilham connosco vida.

É sempre impressionante pensar quantas vidas já se cruzaram com a cruz e com o ícone de Santa Maria, tantas palavras, tantos silêncios, tantas histórias, tantas lágrimas, tantas orações. E é legítimo parar e pensar o que há em comum entre todas estas? O que é que um preso de 30 anos tem em comum com um estudante de 19 anos ou com uma idosa de 78 anos ou então com um homem de 45 anos portador de deficiência? Poderia ser este o início de uma anedota mas não, é o início da mais bela história de Amor que conheço, a certeza de que todos somos filhos de Deus e que mesmo com as nossas fragilidades, mesmo com os nossos pecados e mesmo com as nossas falhas somos infinitamente amados por Ele.

A peregrinação dos símbolos em Portugal funciona como um despertar e/ou um estímulo para aqueles que possam andar mais esquecidos e despercebidos, mas é igualmente um renovar vivo e presente deste dom que a JMJ é para Portugal, um eco de fazer “ouvir a nossa voz, que Jesus vive e não nos deixa sós”.

Como jovem algarvio sinto-me um “privilegiado” por sermos os “primeiros” a acolher e a ser transformados por estes símbolos, inerente a esta regalia vem uma enorme responsabilidade de ensaiar um ritmo que pode influenciar e motivar todo o país. Com a ajuda de Deus, trabalhamos para que a diocese do Algarve possa marcar genuinamente, não um ritmo monocórdico e fúnebre, mas um ritmo alegre e jovem, despreocupado de números e de massas, materializado numa igreja de portas escancaradas e de coração desdobrado que não vive ensimesmada, mas vive sim num caminho de missão aos meios e às periferias.

João Costa
Responsável pelo COD e o Coordenador da Pastoral Juvenil da Diocese do Algarve. 

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