D. António Moiteiro destaca importância de envolver os pais na transmissão da fé

Foto_ Agência ECCLESIA/CB

Viseu, 12 set 2020 (Ecclesia) – O presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé (CEECDF) pediu hoje que os catequistas sejam prudentes e “não tenham muita pressa” no regresso das sessões presenciais com crianças e adolescentes.

“Deixemos que a escola inicie as suas atividades, as suas aulas, e nós comecemos em meados de outubro, finais de outubro, a nossa catequese, para vermos um pouco como se está a reagir à questão da pandemia”, disse D. António Moiteiro à Agência ECCLESIA

O bispo de Aveiro destacou que há uma orientação fundamental para a organização dos espaços, “um grupo, uma sala”, pelo que se o grupo for grande, “é necessário dividi-lo”

Se não houver espaços suficientes, o responsável católico convida os catequistas e comunidades católicas a “inventar outras formas de educar na fé”, com o envolvimento das famílias.

“O normal será a catequese presencial, mas onde não possível, podemos alterar a catequese presencial com a celebração da Eucaristia, por exemplo. Devemos interessar os pais, para que na semana em que não há sessão presencial, sejam eles a fazer com os filhos uma síntese de fé”, precisa.

As orientações para o regresso da catequese seguem as normas que têm sido propostas pela DGS (distanciamento social, uso de máscara, higienização frequente das mãos), procurando criar espaços seguros.

“Não devemos ter medo, mas estarmos atentos. Não ter medo de avançar, mas sem nos desleixarmos na aplicação das normas e isto é fundamental”, apontou o bispo de Aveiro.

Para o presidente da CEECDF, o bom resultado do regresso das celebrações comunitárias da Missa, desde o final de maio, “vai ajudar também na catequese”.

D. António Moiteiro sublinha ainda que sessões de catequese online podem vir a ajudar as sessões presenciais.

Os responsáveis da catequese em Portugal elaboraram um documento com ‘Orientações para a Catequese em tempo de Pandemia’, para ajudar as várias dioceses no regressos das sessões.

“Acredito que o próximo ano pastoral, dentro da problemática em que nos encontramos e que diz respeito a todos, vai decorrer com normalidade, dentro do anormal. Na minha Diocese de Aveiro, não deixei de presidir às celebrações do Crisma, incentivei os sacerdotes para que se fizesse a Primeira Comunhão, com pequenos grupos”, indica D. António Moiteiro.

Temos de adaptar-nos a estas circunstâncias. Se não posso fazer uma Primeira Comunhão com 50 crianças, posso fazer com dez. Não posso fazer na Missa paroquial, que já atingiu o limite da lotação, mas posso ter outra Eucaristia, própria, para esta celebração”.

O presidente da CEECDF falou com a Agência ECCLESIA no Seminário de Viseu, que acolheu um encontro de responsáveis de cinco dioceses portuguesas sobre o novo paradigma de formação para os catequistas.

Formação catequistas Viseu

Foto_ Agência ECCLESIA/CB

“Este curso, digamos, é o ABC do catequista”, procurando aprofundar a sua identidade, precisa o bispo de Aveiro.

A primeira formação do curso ‘Ser Catequista’, que vem substituir o curso de iniciação catequética até agora em vigor, começou na noite de sexta-feira e encerrou-se esta tarde, com a presença de participantes das dioceses das Beiras: Aveiro, Coimbra, Viseu, Guarda e Lamego.

“Queremos dar prioridade à formação de catequistas”, indica D. António Moiteiro.

O percurso proposto inclui uma etapa inicial de “sensibilização”, o curso “ser catequista” e a formação permanente, de “aprofundamento da fé”.

O prelado admite que hoje “não é fácil” formar catequistas, por fatores como a “dispersão da vida social” ou as mudanças na relação catequese-família, com um afastamento das novas gerações da Igreja.

CB/OC

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