«A finalidade da catequese não é apenas um valor mas é uma arte, é uma ação», refere especialista da Diocese de Vila Real

Foto: PCPNE.va

Vila Real, 25 jun 2020 (Ecclesia) – O padre Manuel Queirós, vigário episcopal da Ação Pastoral da Diocese de Vila Real, afirma que a “opção missionária da catequese, esta centralidade do Kerigma” é “a grande novidade” do novo Diretório da Catequese, apresentado hoje no Vaticano.

“A Catequese não estando desligada, é conjugada com as outras dimensões, a liturgia e a caridade, mas liga-se explicitamente ao anúncio do Evangelho, a esta parte da Palavra e do anúncio do Evangelho, não apenas de conteúdo mas vital, que se liga à experiência e à vida”, explicou o especialista, em declarações ao sítio online ‘Educris’ enviadas à Agência ECCLESIA.

O Vaticano apresentou hoje o Diretório para a Catequese, que, segundo o padre Manuel Queirós, é “novo no estilo, na forma e até no conteúdo”.

O responsável assinala que a finalidade da Catequese “é a mesma” que estava descrita no documento anterior, de 1997 – “proporcionar o encontro, a comunhão, o encontro com a pessoa de Cristo” -, mas, agora, acrescenta “o acompanhamento no amadurecimento desta resposta”, que é “um aspeto muito relevante”.

“A finalidade da catequese não é apenas um valor, mas é uma arte, é uma ação que implica sempre acompanhamento para o amadurecimento da fé inicial e para a incorporação na Igreja e, sobretudo, esta finalidade de ser discípulo missionário”, desenvolveu.

Neste contexto, o vigário episcopal da Ação Pastoral da Diocese de Vila Real explica que o novo documento orientador “vai mexer com as tarefas da Catequese”, que eram seis e “agora são cinco”, tendo sido “retirada a iniciação à missão”, que “não é apenas uma tarefa da catequese” mas a missão “é o modo de ser da catequese, está em tudo”.

O padre Manuel Queirós acrescentou que, agora, as “tarefas da catequese” são apresentadas como: “levar ao conhecimento da fé; iniciar ao mistério cristão; formar para a vida em Cristo; e iniciação à oração.

A novidade que vi logo no diretório foi a sua estrutura, o modo e o estilo próprio. É uma estrutura muito simples, tem apenas três partes, enquanto o anterior diretório tinha cinco. A estrutura traz alguma novidade que nos ajuda a ver o conjunto de uma maneira mais simples”.

Segundo o catequeta português “há novidades que são também desafios para todos”, destacando que outra novidade “constante nos documentos” ao longo dos anos “é a leitura dos sinais atuais” e os grandes sinais que hoje se colocam à Igreja, à catequese e à evangelização, “são a cultura digital e a globalização da cultura”, que “estão implicados um no outro”.

“Faz com que haja necessidade de responder e de nos inserirmos neste contexto, outros sinais são mais particulares da mentalidade do homem de hoje que se centra muito no sujeito, no crente, na sua experiência de vida, e não tanto em coisas gerais, e é preciso trabalhar este aspeto. O ser humano hoje liga muito à relação e aos afetos, tem hoje esta dimensão de buscar o sentido verdadeiro, a verdade, a beleza, aquilo que eleva”, desenvolveu sobre aspetos que o novo diretório “tem muito em conta.

O novo Diretório para a Catequese, o terceiro documento do género em 50 anos, tem também em conta “os cenários culturais não só o pluralismo da sociedade cultural, como pluralismo religioso”, e os grandes desafios, “os grandes contextos socioculturais” são a cultura digital, a mentalidade científica, as questões da bioética, a integridade da pessoa, o compromisso ecológico, a opção pelos pobres, o compromisso social, o mundo do trabalho.

“Tudo sinais do mundo de hoje que não sendo a catequese em si mas é o contexto onde a catequese se desenvolve”, observou o padre Manuel Queirós, destacando também no documento a “valorização das Igrejas Orientais”, e sugere a ‘oração a Jesus’ que “eles têm juntamente com o Pai-Nosso”.

O padre Manuel Queirós e o cónego Luís Miguel Rodrigues, diretor-adjunto da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa em Braga, comentam o novo documento na rubrica ‘Diretório em Análise: Desafios e caminhos para a Catequese’, a partir das 21h00 desta sexta-feira, no canal Educris no Youtube.

“Tenho muita esperança de que será um instrumento valioso para levar a nossa Igreja a ser essa mãe que gera pelo acompanhamento, ajuda a crescer na santidade e a amadurecer como cristãos, que sejam verdadeiros discípulos missionários”, salienta o especialista da Diocese de Vila Real.

CB/OC

Igreja: Vaticano apresenta novo Diretório para a Catequese do século XXI

 

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