Tema esteve em destaque durante jornadas do setor

Fátima, 29 out 2018 (Ecclesia) –  O Departamento de Catequese, do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC), está a promover uma reestruturação nos cursos de formação de catequistas e espera implementar alguns módulos novos ainda durante este ano.

Em declarações enviadas à Agência ECCLESIA, no âmbito das Jornadas Nacionais de Catequese que decorreram entre 26 e 28 de outubro em Fátima, Cristina Sá Carvalho adiantou que a ideia é “passar estes primeiros módulos já para os secretariados diocesanos”, a fim de abranger “os cursos de iniciação que ainda vão ter lugar até ao fim do ano”.

Sobre o que vai mudar na formação de catequitas, Cristina Sá Carvalho realça que o que está em causa é sobretudo uma forma “diferente” de encarar a missão do educador cristão, tendo como base “a catequese de adultos”.

“Atualmente valorizamos muito a dimensão espiritual, o aprofundamento da fé, naquilo que é o catequista, que não é um professor, é uma testemunha da fé que acompanha alguém que está num estádio diferente de crescimento, mas que ele próprio tem que crescer”, salientou Cristina Sá Carvalho.

O Departamento de Catequese, do SNEC, está a preparar neste momento o curso de iniciação ‘Ser Catequista’, que poderá ter a sua primeira edição por altura da próxima Primavera.

“A ideia, que ainda não está completamente definida, é a de termos uma primeira edição um pouco mais pequena para também ainda ouvirmos mais catequistas e mais formadores, para limarmos arestas”, indica Cristina Sá Carvalho.

As Jornadas Nacionais de Catequese tiveram lugar no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, entre 26 e 28 de junho, com a participação de mais de 600 catequistas de todo o país, e subordinado ao tema ‘Ser catequista hoje: As dimensões da formação’.

Cristina Sá Carvalho, do Departamento de Catequese, realça a “riqueza” destes encontros, que permitem “recolher frutos” para melhor lidar com os desafios que chegam das várias comunidades cristãs.

“É extremamente enriquecedor nós percebermos que em cada paróquia aquilo que nós vamos dizendo também faz sentido”, salientou Cristina Sá Carvalho, que relevou vários projetos que também estão em curso, dentro do que se pretende que seja a ação dos educadores cristãos.

Desde os próprios país, com a “reformulação da escola paroquial de pais”, até ao trabalho na preparação de jovens e adolescentes catequistas.

“Quem melhor nos ajuda e nos desafia a pensar globalmente e localmente ao mesmo tempo são certamente os adolescentes porque é a idade charneira”, frisou Cristina Sá Carvalho, que destaca a mensagem que a Igreja Católica está a dar com este Sínodo dos Bispo dedicado aos mais novos.

“Esta ideia de que os adolescentes não conseguem encontrar um sentido para a sua vida, que é uma coisa de que não se fala, e na Igreja temos que falar. Não é compreensível que os jovens hoje se suicidem em massa, em todo o lado, ou que desistam da escola, que não queiram trabalhar, que não tenham condições para formar uma família”, apontou Cristina Sá Carvalho.

As Jornadas Nacionais de Catequese contaram com a participação de D. António Moiteiro, bispo de Aveiro e presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé, que salientou a importância de uma catequese cada vez mais como um “momento orgânico da fé” e enalteceu o papel dos catequistas no país.

D. António Moiteiro defendeu mesmo que a instituição do “ministério de catequista”, por parte da Igreja Católica, a exemplo do que já acontece com “o ministério de ministro extraordinário da comunhão”, de “leitor” ou de “acólito”.

Uma das caraterísticas do novo modelo de catequese que a Igreja Católica em Portugal pretende implentar é a de abandonar um modelo mais escolar para passar a um modelo mais testemunhal, de acompanhamento por parte dos catequistas aos catequizandos, de vivência e transmissão da fé.

O diácono Paulo Campino, diretor do Secretariado de Catequese de Infância e Adolescência da Diocese de Santarém, que também marcou presença nas Jornadas Nacionais de Catequese em Fátima, realçou que “mais do que ensinar doutrinas em que acreditam”, os catequitas devem “ajudar que estas doutrinas passem à vida e ajudem a transformar a vida dos outros”.

“E se nós queremos mudar o esquema da catequese, não é só a dimensão pessoal que tem que mudar, é a própria dimensão física”, sustentou o diácono Paulo Campino, referindo-se por exemplo ao número de catequizandos por sala, e às próprias condições dos espaços de catequese.

“Nós temos que ter condições boas, agradáveis, alegres, com luz, com cor, onde haja vida”, considerou o diácono Paulo Campino.

Ter um grupo mais pequeno de catequese, ou ter um com 31 crianças ou jovens, “não é a mesma coisa”, admitiu Maria Luísa Boléo, do Patriarcado de Lisboa.

“A participação e a capacidade de ir conhecendo e acompanhando mesmo é muito diferente”, disse a catequista, para quem o novo modelo de catequese pode ajudar a construir “algo indispensável” aos educadores cristãos, “que é a flexibilidade, a adaptabilidade às situações”.

“A criança que chega e que traz uma realidade que é daquele momento e que tem que ser atendida. Pode até virar de pernas para o ar a catequese toda que o catequista tinha preparado, não é que a gente faça isso no dia a dia, mas pode ter-se a capacidade de improvisar naquela altura, e para isso é preciso uma preparação muito grande”, completou.

Atualmente existem cerca de 50 mil catequistas em Portugal, distribuídos pelo continente e pelos arquipélagos dos Açores e da Madeira.

JCP

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