Especialista da Arquidiocese de Braga sublinha que o digital é cada vez mais «incontornável», mas alerta para desigualdades

Braga, 14 jan 2021 (Ecclesia) – O presidente da Comissão para a Educação Cristã da Arquidiocese de Braga afirmou que “a pandemia foi muito clarificadora na motivação das relações” e na catequese, destacando que “o acompanhamento é imprescindível”.

“Se antes era possível estar de uma forma mais rotineira, com a pandemia, com os obstáculos que colocou, só mesmo quem estava por convicção é que foi capaz de uma forma criativa encontrar soluções, mais ou menos capazes, mas esforçou-se por isso e, normalmente, conseguiu”, disse o padre Luís Miguel Figueiredo Rodrigues à Agência ECCLESIA.

Na véspera de um novo confinamento em Portugal, por causa da pandemia de Covid-19, o especialista da Arquidiocese de Braga referiu que “na evangelização, e na catequese em concreto, o acompanhamento é imprescindível” e “não há a possibilidade de fazer uma evangelização em massa”.

“É sempre imprescindível fazer uma evangelização a partir do encontro pessoal e o grupo seja um pretexto para esse encontro”, acrescentou.

O padre Luís Miguel Figueiredo Rodrigues indica que o encontro deve acontecer, “essencialmente, através de um contacto personalizado”: “Numa rede social, num telefonema, numa visita à casa onde a pessoa mora, com todos os cuidados, quando é possível”.

“É muitíssimo difícil, mas tem sido possível quando o agente pastoral ou catequista tem claro de que isso é muito importante e arranja formas, não plenamente satisfatórias, de marcar uma presença e de recordar a importância que isso tem”, assinalou.

Para o presidente da Comissão para a Educação Cristã da Arquidiocese de Braga, a catequese tem de se “tornar visível” nas comunidades, no sentido em que “é um serviço da paróquia como os outros”, por isso, “a única hipótese que tem para existir como movimento é juntamente com as outras tarefas também marcar a sua presença, realizar-se”.

O padre Luís Miguel Figueiredo Rodrigues destaca também que, “agora, é muito mais fácil acompanhar os grupos de catequese” porque estão “todos interligados” em redes no Whatsapp, no Facebook e, por isso, “o presbítero consegue acompanhar de uma forma que dantes não conseguir”.

Na Catequese da Infância, esta “foi uma oportunidade boa” para os pais “se comprometerem mais na catequese, até pelo facto de as “crianças pequeninas” não terem autonomia nestas tecnologias.

O especialista da Arquidiocese de Braga observa que “o virtual se tornou incontornável”, porque a pandemia “obrigou a superar barreiras”, e adianta que existem comunidades que “ainda não começaram a Catequese de modo presencial”.

Neste contexto, alerta que “muitos catequizados não têm possibilidade de assistir a uma videoconferência” e muitas pessoas “não têm possibilidade de comprar um computador”, de ter acesso à internet em banda larga ou “em banda suficiente para fazer uma videoconferência”.

“Há pessoas que moram em regiões onde não têm nem por cabo, nem por telemóvel, largura de banda suficiente. Aqui temos muita desigualdade. É um serviço caro”, apontou.

No início de um novo ano civil, o presidente da Comissão para a Educação Cristã de Braga explica que a “prioridade e desafio” da catequese na arquidiocese, “como um bocadinho em geral, é formar os agentes de pastoral, capacitá-los para a sua missão que agora tem umas novas configurações”.

Em comunicado divulgado hoje, o Conselho Permanente da CEP adianta que a catequese continuará em regime presencial “onde for possível observar as exigências sanitárias”.

“De contrário, pode ser por via digital ou cancelada. Recomendamos ainda que outras atividades pastorais se realizem de modo digital ou sejam adiadas”, acrescenta a nota.

CB/OC

 

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